Falta de combustível pode cancelar voos na Europa
Empresas alertam para cancelamentos e pedem plano de racionamento diante da escassez de querosene
247 - A indústria global da aviação começou a alertar para a possibilidade de cancelamentos de voos na Europa já nas próximas semanas, diante de uma crescente escassez de combustível de aviação. Representantes do setor defendem que governos adotem medidas emergenciais e preparem planos para eventual racionamento em aeroportos, segundo informações divulgadas por um consórcio com mais de 300 empresas do setor.
O alerta foi reforçado por Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que afirmou: “Até o fim de maio poderemos começar a ver alguns cancelamentos na Europa por falta de combustível de aviação. Isso já está acontecendo em partes da Ásia”. Ele acrescentou: “É importante que as autoridades tenham planos bem comunicados e coordenados caso o racionamento se torne necessário”.
Escassez pode atingir Europa em poucas semanas
A preocupação ganhou força após a Agência Internacional de Energia (AIE) informar que os estoques de querosene de aviação na Europa seriam suficientes por cerca de seis semanas antes de um possível desabastecimento. Walsh classificou essa avaliação como “preocupante”, destacando o risco crescente para o setor aéreo.
Embora a maior parte do mundo ainda esteja distante de medidas de racionamento, o cenário atual evidencia os impactos diretos da crise energética global sobre a aviação. O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e derivados, tem sido apontado como um dos principais fatores para a redução da oferta.
Alta de preços pressiona companhias aéreas
O preço do combustível de aviação praticamente dobrou desde o início do conflito envolvendo o Irã, pressionando custos operacionais das companhias aéreas. Cerca de 20% do querosene utilizado globalmente passa pelo Estreito de Ormuz, sendo que aproximadamente 69% desse volume é destinado à Europa, de acordo com dados da consultoria Kpler.
Países como Reino Unido, França e Holanda estão entre os mais dependentes do fornecimento vindo do Oriente Médio, o que os torna mais vulneráveis às interrupções na cadeia de abastecimento.
Impactos já são sentidos no setor aéreo
Mesmo em regiões menos expostas, como os Estados Unidos, os efeitos da alta global dos preços já começaram a ser sentidos. Companhias aéreas, incluindo a United Airlines, passaram a reduzir voos programados para o verão como forma de compensar o aumento dos custos operacionais.
A situação reforça a necessidade de coordenação internacional e planejamento antecipado, diante de um cenário que combina crise geopolítica, gargalos logísticos e forte pressão sobre os preços da energia.


