Produção de energia no Golfo pode levar dois anos para se recuperar
Especialista alerta que guerra com Irã afetará preços e produção global de energia por longo período
247 - A produção de petróleo e gás natural na região do Golfo deve levar cerca de dois anos para retornar aos níveis anteriores ao conflito com o Irã, em um cenário que tende a impactar de forma prolongada o mercado global de energia e pressionar preços em escala internacional, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgada em entrevista ao jornal suíço Neue Zürcher Zeitung.
De acordo com o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, a recuperação não será uniforme entre os países da região e dependerá das condições específicas de cada economia produtora. “No Iraque, por exemplo, levará muito mais tempo do que na Arábia Saudita. No entanto, estimamos que levará aproximadamente dois anos, no total, para retornar aos níveis pré-guerra”, afirmou.
Recuperação desigual e riscos para o mercado
A avaliação da AIE indica que os impactos do conflito vão além da produção imediata, atingindo também a logística e o abastecimento global. Antes do agravamento da guerra, diversos navios-tanque de petróleo e gás já estavam em trânsito e chegaram aos seus destinos. No entanto, segundo Birol, não houve novos carregamentos em março, o que interrompeu o fluxo regular de exportações, especialmente para a Ásia.
Esse hiato no fornecimento começa agora a se tornar mais evidente no mercado internacional, elevando preocupações sobre possíveis restrições de oferta nos próximos meses.
Estreito de Ormuz no centro das preocupações
Outro ponto crítico destacado pelo dirigente da AIE é a situação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Birol alertou que investidores estariam subestimando os riscos de um eventual fechamento prolongado da passagem.
“Se o Estreito de Ormuz não for reaberto, devemos nos preparar para preços de energia significativamente mais altos”, advertiu.
Apesar das tensões, os preços do petróleo se mantiveram abaixo de US$ 100 por barril ao longo da semana, mas a continuidade das restrições logísticas pode alterar esse cenário rapidamente, ampliando os efeitos do conflito sobre a economia global e os custos energéticos em diferentes países.


