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Fed reage a intimação judicial e Powell denuncia pressão política de Trump

Presidente do banco central afirma que ameaça criminal está ligada à política de juros e acusa tentativa de intimidação por parte do presidente dos EUA

Donald Trump e Jerome Powell (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)

247 - O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, informou que recebeu intimações emitidas por um grande júri do Departamento de Justiça norte-americano, relacionadas a uma possível acusação criminal envolvendo o presidente da instituição, Jerome Powell. A medida se conecta a um depoimento prestado por Powell no Senado, em junho do ano passado, no qual ele abordou, entre outros temas, um projeto plurianual de reforma do edifício-sede do Fed, em Washington.

A intimação foi enviada na sexta-feira (9) e gerou reação imediata do comando do banco central. Em comunicado divulgado na noite de domingo (11), Powell classificou a iniciativa como uma ação sem precedentes e a inseriu em um contexto de pressões políticas exercidas pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Esta ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, afirmou Powell, ao mencionar as articulações de Trump para influenciar as decisões da autoridade monetária. Segundo ele, a nova ameaça não tem relação direta com o depoimento ao Comitê Bancário do Senado, com a reforma do prédio nem com o papel de supervisão do Congresso.

“Esses são pretextos”, declarou o presidente do Fed. Powell foi além ao associar explicitamente a ameaça de uma acusação criminal às decisões de política monetária adotadas pela instituição. “A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”, afirmou.

No comunicado, Powell ressaltou sua trajetória à frente do banco central ao longo de diferentes administrações. “Estou no Fed há quatro governos, incluindo republicanos e democratas. Em todos os casos, cumpri meus deveres sem medo ou favorecimento político, focado exclusivamente em nosso mandato de estabilidade de preços e pleno emprego”, disse. Ele acrescentou que “o serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças”.

O presidente do Federal Reserve também afirmou que seguirá exercendo suas funções normalmente, apesar da escalada de tensão institucional. “Continuarei a fazer o trabalho para o qual o Senado me confirmou, com integridade e um compromisso de servir ao povo americano”, declarou, encerrando o posicionamento oficial da autoridade monetária diante do episódio.

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