França detém petroleiro vindo da Rússia no Atlântico
Marinha francesa interceptou o navio Tagor em operação apoiada pelo Reino Unido. Embarcação está sob sanções internacionais
247 - A Marinha da França deteve no Oceano Atlântico o petroleiro Tagor, que navegava a partir da Rússia e está submetido a sanções internacionais. A operação, realizada em alto-mar com apoio do Reino Unido e de outros parceiros, foi anunciada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, segundo a TASS.
Macron afirmou, em publicação na rede social X, que a abordagem ocorreu “em estrita conformidade com o direito marítimo”. Segundo o presidente francês, a embarcação havia partido da Rússia antes de ser interceptada pelas forças navais francesas.
“Ontem de manhã, a Marinha francesa deteve outro petroleiro, o Tagor, que navegava a partir da Rússia e estava sujeito a sanções internacionais. Esta operação foi realizada em alto-mar no Oceano Atlântico com o apoio de vários parceiros, incluindo o Reino Unido, e em estrita conformidade com o direito marítimo”, escreveu Macron.
De acordo com o serviço de monitoramento VesselFinder, citado pela agência, o petroleiro Tagor navega sob bandeira de Madagascar. O sistema também aponta que a última escala registrada da embarcação ocorreu em Murmansk, no norte da Rússia, no início de maio.
A retenção do navio amplia a pressão de países europeus sobre embarcações ligadas ao transporte de petróleo russo. Desde o início das sanções ocidentais contra Moscou, autoridades europeias têm intensificado o monitoramento de petroleiros suspeitos de integrar a chamada frota paralela russa, usada para manter fluxos de exportação de petróleo apesar das restrições internacionais.
O caso do Tagor ocorre depois de outra operação francesa envolvendo o petroleiro Deyna. Em 20 de março, a Marinha da França interceptou a embarcação no Mediterrâneo Ocidental. O navio, que também havia deixado Murmansk, navegava sob bandeira de Moçambique.
Na ocasião, Macron afirmou que o Deyna fazia parte da chamada “frota fantasma” da Rússia. A detenção, porém, foi encerrada posteriormente. Em 16 de abril, a prefeitura marítima do Mediterrâneo informou que as autoridades francesas haviam liberado o navio após o pagamento de uma multa.
A Rússia reagiu às ações europeias por meio da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova. Ela afirmou que Moscou utilizaria todos os meios disponíveis para defender o princípio da liberdade de navegação e se opor ao que classificou como pirataria da União Europeia em áreas marítimas.
“Usaremos todos os meios disponíveis para garantir o respeito ao princípio da liberdade de navegação a fim de combater a pirataria da UE em áreas marítimas”, declarou Zakharova, segundo o texto original.
A nova interceptação ocorre em meio à disputa entre países ocidentais e a Rússia sobre o comércio marítimo de petróleo, em especial envolvendo embarcações registradas sob bandeiras de outros países. Para Paris, as operações fazem parte do cumprimento das sanções internacionais; para Moscou, representam uma ameaça à livre navegação.



