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França planeja missão internacional para reabrir o estreito de Ormuz, diz Macron

Operação pretende garantir fluxo global de petróleo e gás em meio à crise no Oriente Médio

Presidente francês Emmanuel Macron em Nice 9/6/2025 (Foto: Laurent Cipriani/Pool via REUTERS)

247 - O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (9) que a França está organizando uma futura missão internacional para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás. Segundo a RFI, Macron afirmou que a iniciativa terá caráter “puramente defensivo” e pretende restabelecer gradualmente o fluxo comercial após a escalada militar recente no Oriente Médio.

As declarações de Macron foram feitas durante uma visita ao Chipre, onde o líder francês detalhou os planos de mobilização militar e diplomática diante do bloqueio da importante passagem marítima, por onde passa um quinto do petróleo mundial. A proposta integra um amplo dispositivo de segurança montado pela França e por aliados europeus em resposta ao conflito na região.

Durante a visita ao aeroporto militar de Pafos, no sudoeste do Chipre — que foi atingido por um drone após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irã em 28 de fevereiro — Macron demonstrou apoio ao presidente cipriota, Nikos Christodoulides. Na ocasião, o líder francês enfatizou a importância estratégica da ilha para a segurança europeia.

“Quando o Chipre é atacado, a Europa é atacada”, declarou.

O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, que acompanhou a agenda no país, também reforçou a posição de solidariedade europeia. Segundo ele, as ações planejadas têm natureza defensiva e não implicam participação direta em operações militares.

“Não aceitaremos que nem mesmo a menor porção do território europeu, como o Chipre, seja exposta ao perigo”, afirmou.

Presença naval ampliada no Mediterrâneo

Após a visita ao Chipre, Macron seguiu para o porta-aviões francês Charles de Gaulle, que atualmente opera ao largo da ilha de Creta. O navio foi deslocado para o Mediterrâneo Oriental por decisão presidencial logo após o início das tensões militares na região.

O porta-aviões integra um importante agrupamento naval francês composto por oito fragatas e dois porta-helicópteros anfíbios, responsáveis por patrulhar uma vasta área que abrange o Mediterrâneo Oriental, o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz.

Além da França, outros países europeus também reforçaram a presença naval. Itália e Espanha enviaram fragatas para a região, ampliando o dispositivo de proteção às rotas marítimas.

Missão internacional de escolta marítima

Macron explicou que está sendo estruturada uma missão de apoio voltada à proteção da navegação comercial. O objetivo é permitir que navios cargueiros e petroleiros voltem a cruzar o Estreito de Ormuz em segurança.

Segundo o presidente francês, a operação deverá entrar em funcionamento “assim que possível, após o término da fase mais intensa do conflito”, com foco na escolta de embarcações e na normalização gradual do tráfego marítimo.

Ele destacou que a reabertura da passagem é fundamental para o comércio global. 

“Isso é essencial para o comércio internacional, mas também para o fluxo de gás e petróleo”, afirmou.

Macron acrescentou que a missão será “estritamente pacífica” e deverá envolver parceiros europeus e também países de outras regiões afetadas pela crise energética. Entre os interlocutores mencionados estão a Índia e outras nações asiáticas dependentes das rotas do Golfo.

União Europeia reforça operações no Mar Vermelho

Paralelamente, a França confirmou que contribuirá “a longo prazo” com duas fragatas para a Operação Aspides, missão naval da União Europeia criada em 2024 para proteger o tráfego comercial no Mar Vermelho e comandada pela Grécia. Atualmente, uma fragata francesa já participa da operação.

O primeiro-ministro grego aproveitou a ocasião para pedir maior mobilização dos parceiros europeus, defendendo o envio de mais navios para ampliar a segurança marítima.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, também indicaram que o bloco está disposto a “adaptar e reforçar ainda mais” suas missões de proteção marítima, após uma videoconferência com líderes do Oriente Médio.

G7 discute segurança energética

A crise energética provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz também motivou uma iniciativa diplomática liderada pela França, que preside o G7 em 2026.

Macron anunciou a convocação de uma reunião extraordinária de ministros de Energia do grupo nesta terça-feira (10), em Paris, paralelamente a uma cúpula dedicada à energia nuclear civil. “Quero mobilizar uma coordenação estreita no âmbito do G7 para melhor gerenciar as questões energéticas”, afirmou o presidente francês.

De acordo com ele, os países do grupo — França, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Alemanha, Canadá e Japão — discutem entre as alternativas possíveis a utilização de reservas estratégicas de energia para enfrentar a volatilidade dos preços provocada pela crise no Golfo.

Apelos por redução da escalada militar

Durante a visita ao Chipre, Macron também abordou a situação de segurança no Oriente Médio e defendeu medidas para reduzir a escalada do conflito. Após conversar com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante o voo para a ilha mediterrânea, o presidente francês pediu que o Hezbollah pró-Irã interrompa os ataques realizados a partir do território libanês.

“Israel deve então cessar suas operações militares e ataques contra o Líbano o mais rápido possível, para permitir que a soberania e a integridade territorial do Líbano sejam restauradas, e para que as Forças Armadas libanesas, único órgão legítimo, garantam a segurança do país”, declarou.

A visita também serviu para reforçar a preocupação francesa com a proteção dos países do Golfo que foram alvo de ataques iranianos e com a segurança de cidadãos franceses que vivem na região.

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