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G7 pede cessar-fogo imediato no Líbano

G7 pede cessar-fogo imediato no Líbano e vê acordo EUA-Irã como oportunidade histórica

Fotografia oficial dos chefes de delegação dos países membros e dos países convidados do G7, em Évian-les-Bains - França (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - Os líderes do G7 defenderam nesta quarta-feira (17) um cessar-fogo imediato no Líbano e associaram a estabilização do país à implementação do acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã, tratado no comunicado conjunto como uma oportunidade histórica para reduzir tensões no Oriente Médio e impedir que Teerã obtenha armas nucleares.

A declaração foi divulgada pelos chefes de governo de Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá durante a cúpula do grupo. O texto afirma que o entendimento entre Washington e Teerã representa um avanço diplomático em meio à escalada regional e às preocupações com o programa nuclear iraniano, o papel do Hezbollah no Líbano e a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

No comunicado, os líderes afirmam apoiar uma trégua ampla e imediata em território libanês, vinculando o fim dos combates a medidas de segurança internas e internacionais. “No Líbano, apoiamos, por meio de um cessar-fogo imediato e robusto, os esforços da liderança libanesa para alcançar o desarmamento do Hezbollah e o monopólio das armas, bem como para proteger a integridade territorial e a soberania do Líbano com as garantias internacionais de segurança apropriadas”, diz o texto.

A declaração também manifesta apoio ao acordo firmado entre Estados Unidos e Irã “sob a forte liderança do presidente Trump” e afirma que os países do G7 estão prontos para contribuir com sua aplicação. O grupo sustenta que o entendimento pode impedir a aquisição de armas nucleares por Teerã e enfrentar ameaças associadas às atividades regionais do Irã e ao seu programa de mísseis balísticos.

Reabertura de Ormuz entra no centro das negociações

Outro ponto destacado no comunicado é a possibilidade de uma iniciativa liderada por Reino Unido e França para reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo. A passagem é uma das rotas mais sensíveis para o transporte global de energia, e sua interrupção tem sido relacionada ao aumento dos preços do petróleo e do gás.

A Agência Internacional de Energia defendeu a normalização da navegação na região. “A solução mais importante para esse problema é a abertura plena e incondicional do estreito de Ormuz à navegação”, afirmou o diretor da agência, Fatih Birol.

Apesar do apoio à reabertura da rota marítima, o comunicado indica que novas negociações ainda serão necessárias para tratar das ameaças atribuídas ao Irã na região. A questão é considerada um dos principais obstáculos para que o acordo avance de forma efetiva.

Gaza e Cisjordânia também aparecem no comunicado

Além do Líbano, os líderes do G7 prometeram acelerar esforços humanitários e de reconstrução em Gaza. O grupo também pediu o fim da violência na Cisjordânia, em meio a novos relatos de ataques de colonos israelenses contra comunidades palestinas.

Confrontos continuam no sul do Líbano

Mesmo com o apelo internacional por um cessar-fogo imediato, os combates no Líbano continuam. Segundo a rede catari Al Jazeera, o Hezbollah lançou uma barragem de foguetes contra tropas israelenses que avançavam perto de Kfar Tebnit, nos arredores de Nabatieh.

A mídia estatal libanesa também informou que drones israelenses atingiram os vilarejos de Mansouri, Aaziyyeh e Braachit, provocando vítimas. A Agência Nacional de Notícias do Líbano relatou que ataques israelenses seguiram no sul do país na manhã desta quarta-feira, apesar da declaração dos líderes do G7.

Detalhes do acordo EUA-Irã seguem sob sigilo

Os termos oficiais do acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não foram divulgados integralmente. Cópias vazadas de um memorando, no entanto, circularam na imprensa americana e indicam que Teerã aceitaria reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz após a assinatura formal do entendimento.

De acordo com essas informações, o Irã também receberia autorização para vender petróleo sem restrições. O memorando ainda prevê o fim imediato dos combates entre Israel e Hezbollah no Líbano, mas não menciona uma retirada das tropas israelenses, uma das principais exigências de Teerã.

As informações vazadas também apontam que Washington trabalharia para encerrar sanções americanas e das Nações Unidas contra o Irã caso seja firmado um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano. Reportagens mencionaram ainda a possibilidade de um fundo de US$ 300 bilhões voltado à reconstrução e ao desenvolvimento econômico do país.

Trump nega fundo para reconstrução iraniana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou que exista compromisso financeiro norte-americano com a reconstrução do Irã e afirmou que o memorando ainda não é definitivo. Em reunião com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, durante a cúpula do G7, Trump ameaçou retomar ataques contra o Irã caso discorde dos termos finais do acordo.

“É um memorando de entendimento e, se eu não gostar dele, voltaremos a atirar neles, a lançar bombas. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a lançar bombas bem no meio da cabeça deles”, afirmou.

Trump também rejeitou a existência de um fundo americano para reconstrução de Teerã. “Não vamos colocar nem 10 centavos. Não estamos investindo e não temos nenhum fundo”, disse.

Vance chama memorando de acordo de paz regional

O vice-presidente americano, JD Vance, classificou o memorando como “um acordo de paz regional” envolvendo países do Golfo, Israel e Líbano. Em entrevista ao programa da jornalista americana Megyn Kelly, ele reconheceu que o cessar-fogo no território libanês ainda é instável.

Segundo Vance, ainda há “alguns disparos de ambos os lados”, embora a intensidade dos confrontos tenha diminuído. “Às vezes, um cessar-fogo significa apenas que estão atirando menos. Esse é o progresso, e então você passa para a próxima etapa”, afirmou.

O vice-presidente acrescentou que o texto do acordo deverá ser divulgado até sexta-feira. Segundo ele, negociadores do Catar e do Paquistão pediram que a publicação ocorra de forma gradual, devido a sensibilidades diplomáticas.

Presidente do Líbano defende soberania nas negociações

No Líbano, o presidente Joseph Aoun adotou um tom conciliador em relação ao Irã e afirmou que o país aceita apoio de qualquer nação para alcançar um cessar-fogo, incluindo Teerã. Ao mesmo tempo, disse que as tratativas entre Líbano e Israel ocorrem de forma independente do acordo entre Estados Unidos e Irã.

“As garantias que recebemos, e aquilo em que insistimos, são de que o caminho do Líbano nas negociações é independente, embora certamente sejamos favoráveis a um cessar-fogo e a qualquer país que nos ajude, incluindo o Irã”, declarou.

Aoun também afirmou que o Estado libanês conduz diretamente as negociações. “O Estado libanês é soberano em suas decisões e, pela primeira vez, é ele quem conduz as negociações, e ninguém negocia em nosso nome”, disse.

Famílias deslocadas começam a retornar ao sul do Líbano

Desde o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã, famílias deslocadas pela guerra no sul do Líbano começaram a voltar para suas casas. Muitas encontraram vilas e cidades severamente destruídas pelos bombardeios israelenses.

Os confrontos com o Hezbollah foram retomados em 2 de março. Desde então, os bombardeios israelenses mataram quase 4 mil pessoas e deslocaram mais de um milhão, segundo as informações fornecidas no texto original. Mesmo com a pressão diplomática do G7, ataques israelenses continuaram no sul do Líbano nesta quarta-feira.

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