Guerra civil nos EUA? Trump cogita enviar 1,5 mil soldados para Minnesota
Pentágono coloca tropas da ativa em alerta diante de protestos contra ações de imigração; prefeito de Minneapolis denuncia intimidação
247 – O governo dos Estados Unidos voltou a sinalizar uma escalada militar interna diante de protestos ligados à política de imigração. O Pentágono colocou cerca de 1.500 soldados da ativa em alerta para um possível deslocamento ao estado de Minnesota, em meio a manifestações que se intensificaram após operações de fiscalização migratória e episódios de violência associados à atuação federal no estado.
As informações foram publicadas pelo Wall Street Journal, que ouviu quatro autoridades de Defesa. Segundo o relato, os militares foram orientados a se preparar para uma eventual mobilização rápida, caso a ordem seja dada.
De acordo com a reportagem, os soldados pertencem ao Exército dos EUA e integram a 11ª Divisão Aerotransportada. Eles receberam determinação para se preparar para deslocamento, o que significa manter prontidão para se mover rapidamente para Minnesota. Um dos oficiais descreveu a medida como “precaucionária”, ou seja, uma preparação preventiva caso a unidade venha a ser acionada.
Em resposta a questionamentos sobre o possível envio, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o Departamento de Defesa “está sempre preparado para executar as ordens do comandante em chefe, se for chamado”. Um representante da Casa Branca também foi citado dizendo que é “normal” o Departamento de Defesa estar pronto para qualquer decisão que o presidente possa ou não tomar.
A movimentação ocorre enquanto o presidente Donald Trump ameaça recorrer à Lei da Insurreição (Insurrection Act), um dispositivo do século 19 que autoriza o uso das Forças Armadas em papel de policiamento interno para “suprimir rebelião” contra o governo. Segundo a reportagem, Trump já ameaçou acionar esse mecanismo em diferentes momentos, durante seu primeiro e seu segundo mandato, mas ainda não o colocou em prática.
Historicamente, o acionamento dessa lei é tratado como medida extrema, considerada um recurso de último caso, usado apenas quando as forças de segurança tradicionais não conseguem conter a instabilidade e garantir a ordem pública.
A tensão em Minnesota aumentou após a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada fatalmente durante uma operação envolvendo um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Minneapolis. O caso provocou comoção e desencadeou protestos na cidade.
Guarda nacional de prontidão
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, reagiu publicamente à possibilidade de militarização e rejeitou o discurso de que seria necessária uma intervenção federal com base na Lei da Insurreição. Em entrevista citada pela reportagem, ele afirmou que a cidade possui “muitos mecanismos para alcançar a segurança” sem recorrer ao instrumento. Em seguida, elevou o tom ao acusar o governo de agir para intimidar a população, afirmando que a medida foi “claramente projetada para intimidar o povo de Minneapolis”, mas que a cidade “não será intimidada”.
Além da tensão com o governo federal, o estado também mobilizou estruturas próprias. O governador Tim Walz acionou a Guarda Nacional de Minnesota, que foi colocada em prontidão. Segundo uma agência estadual, os militares ainda não haviam sido enviados às ruas, mas a sinalização oficial é de que a Guarda poderá ser utilizada para apoiar forças de segurança locais, ao mesmo tempo em que autoridades alegam buscar garantir o direito à manifestação pacífica.
A conjunção entre a prontidão de tropas federais, a ameaça de aplicar a Lei da Insurreição e o acirramento das disputas políticas internas volta a expor um dos pontos mais explosivos da crise institucional dos Estados Unidos: a crescente disposição do governo Trump de tratar conflitos sociais e protestos civis como problema militar, abrindo caminho para uma radicalização que aprofunda a polarização e amplia a instabilidade no país.

