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Guerra no Irã pode ter motivado ataque a Trump em jantar

Departamento de Segurança Interna dos EUA investiga motivações de Cole Allen em ataque no final de abril

Cole Allen (Foto: Reuters)

247 - A guerra no Irã pode ter sido um dos fatores que influenciaram a tentativa de ataque contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrantes de seu governo durante um jantar com jornalistas na Casa Branca, segundo avaliação preliminar do Departamento de Segurança Interna dos EUA.

O relatório, elaborado pelo escritório de inteligência do Departamento de Segurança Interna, conhecido pela sigla DHS, foi datado de 27 de abril e distribuído a autoridades federais, estaduais e locais. O documento aponta que o suspeito Cole Allen, de 31 anos, manifestava "múltiplas queixas sociais e políticas" e afirma que o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã "pode ter contribuído" para sua decisão de tentar realizar o ataque.

O episódio ocorreu em 25 de abril, durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca. A análise, ainda preliminar, é considerada a indicação mais direta até o momento sobre uma possível motivação para a ação frustrada, que passou a ser examinada também à luz do cenário internacional e de seus reflexos na política interna dos Estados Unidos.

O documento cita publicações em redes sociais atribuídas ao suspeito nas quais ele criticava a atuação norte-americana na guerra. O relatório foi classificado como uma "nota de incidente crítico" e obtido por meio de pedidos de acesso à informação feitos por uma organização de transparência. Posteriormente, o material foi compartilhado com a Reuters.

Procurados, porta-vozes do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Justiça não comentaram o conteúdo do relatório. O FBI também não se manifestou sobre o caso.

Novas acusações contra o suspeito

Na terça-feira, 5 de maio, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou novas acusações contra Cole Allen, incluindo agressão a um agente federal. De acordo com os promotores, ele teria disparado contra um agente do Serviço Secreto.

Allen também responde por tentativa de assassinato, uso de arma de fogo durante crime violento e transporte ilegal de arma e munição entre estados. Até o momento mencionado nos documentos, o suspeito ainda não havia apresentado uma defesa formal.

Autoridades norte-americanas vinham divulgando poucas informações sobre a motivação da tentativa de ataque. Uma das referências feitas anteriormente era a um email enviado por Allen a familiares na noite da ação. A mensagem foi descrita como uma espécie de manifesto e expressava indignação com o governo.

Nesse texto, o suspeito teria feito referência ao desejo de atingir um "traidor que faria um discurso", sem mencionar nominalmente Donald Trump.

Investigação analisa atividade digital

Documentos judiciais indicam que Allen discordava das políticas do presidente dos Estados Unidos e desejava "reagir contra políticas" e decisões que considerava moralmente inaceitáveis. A investigação passou a incluir uma análise detalhada da atividade digital do suspeito nas semanas anteriores ao episódio.

O FBI examina publicações em redes sociais que abordavam diferentes temas políticos. Entre os conteúdos analisados estão críticas à atuação dos Estados Unidos no Irã, ataques à política migratória do governo Trump, menções ao bilionário Elon Musk e referências à guerra da Rússia na Ucrânia.

Em uma das postagens, o suspeito compartilhou pedidos de impeachment contra Trump depois de declarações do presidente sobre o Irã. Em outra publicação, ligada a um perfil associado a Allen, o líder republicano foi comparado ao diabo em resposta a uma mensagem de sua filha, Tiffany Trump.

Segundo uma autoridade, a análise do histórico online também tem como objetivo conter a disseminação de teorias da conspiração sobre o caso, em um esforço semelhante ao adotado após um ataque ocorrido durante um comício de Trump em 2024.

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