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Guerra no Oriente Médio é "grave ameaça à segurança internacional", diz Lula

Presidente alerta para consequências humanitárias e econômicas: “o preço do petróleo está subindo muito”

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que a escalada de conflitos no Oriente Médio, iniciados por Estados Unidos e Israel com bombardeios ao Irã, representa um risco significativo para a estabilidade global. A declaração foi feita durante pronunciamento à imprensa após reunião com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em Brasília, no contexto da visita de Estado do líder sul-africano ao Brasil.

Ao comentar a situação internacional, Lula manifestou preocupação com os impactos políticos, humanitários e econômicos das tensões na região. Segundo o presidente, o agravamento do cenário no Oriente Médio pode afetar cadeias globais de energia, alimentos e insumos, com reflexos diretos sobre a economia mundial.

“Expus ao presidente Ramaphosa minha profunda preocupação com a escalada de conflitos no Oriente Médio, que representam uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, com impactos humanitários e econômicos”, afirmou Lula. O presidente destacou ainda que os efeitos dessas crises atingem de forma mais intensa as populações vulneráveis. “São os mais vulneráveis, sobretudo mulheres e crianças, que sofrem o impacto mais severo dessas crises".

Impactos globais e aumento do petróleo

O presidente também alertou para as consequências econômicas do conflito, especialmente no setor energético. Segundo Lula, o aumento das tensões já tem repercussões nos preços internacionais dos combustíveis. “É importante lembrar que por conta da guerra do Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo. O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”, declarou.

Na avaliação do presidente, o caminho para reduzir a instabilidade internacional passa pela negociação diplomática. “O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura”, afirmou.

Cooperação entre Brasil e África do Sul

A declaração ocorreu durante a visita de Estado de Cyril Ramaphosa ao Brasil, a quarta do líder sul-africano ao país, mas a primeira com esse status diplomático. Lula destacou que Brasil e África do Sul compartilham a defesa de uma ordem internacional mais equilibrada, baseada no multilateralismo e no respeito ao direito internacional.

Segundo o presidente brasileiro, os dois países atuam para fortalecer a cooperação entre América do Sul e África. “África do Sul e Brasil atuam para aproximar nossos continentes”, afirmou.

Durante a agenda em Brasília, os dois governos anunciaram a assinatura de instrumentos destinados a ampliar a cooperação econômica, comercial e política. Entre as iniciativas está a renovação por quatro anos do plano de ação no setor de turismo, com o objetivo de ampliar viagens de lazer e negócios entre os dois países.

Também foi firmado um acordo entre a ApexBrasil e o Departamento de Comércio da África do Sul para incentivar o comércio e os investimentos bilaterais. Lula destacou que o atual volume de trocas comerciais ainda não reflete o potencial das duas economias.

“A relação comercial não está à altura do potencial de nossas economias. O intercâmbio anual está estagnado há quase 20 anos. Não existe nenhuma explicação política para que a gente não tenha um comércio acima de US$ 10 bilhões”, afirmou.

Parceria estratégica e agenda diplomática

Brasil e África do Sul mantêm uma parceria estratégica desde 2010, considerada o nível mais elevado nas relações bilaterais. A cooperação envolve temas como defesa e segurança, energia nuclear, investimentos, comércio e coordenação em fóruns multilaterais.

O fluxo comercial entre os dois países alcançou US$ 2,3 bilhões em 2025. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes de aves e miudezas, açúcares e melaços e veículos rodoviários. As importações brasileiras concentram-se principalmente em prata, platina e outros minerais do grupo da platina.

Ramaphosa foi recebido no Palácio do Planalto pouco depois das 10h. A programação inclui reunião restrita entre os dois presidentes, encontro ampliado com equipes de governo, assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa.

Após os compromissos no Planalto, as delegações seguiram para o Palácio Itamaraty, onde participam de almoço oficial e da abertura do Fórum Empresarial Brasil–África do Sul. Como parte do protocolo de visitas de Estado, o presidente sul-africano também deve visitar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. No atual mandato, Lula esteve na África do Sul em 2023 para a Cúpula do Brics e voltou ao país em 2025 para a reunião de líderes do G20.

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