Hegseth diz que cerca de 200 militares dos EUA estavam em Caracas em operação para sequestrar Maduro
Secretário de Guerra afirma que ação mirou “um indivíduo indiciado” e ironiza suposta atuação de defesas aéreas russas
247 – O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que cerca de 200 militares norte-americanos estiveram “no centro de Caracas” durante uma operação dos EUA que teria como objetivo capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A declaração foi divulgada nesta terça-feira, 6 de janeiro, pela agência russa TASS.
Segundo Hegseth, a ação teria sido conduzida para deter o que ele descreveu como “um indivíduo indiciado” procurado pela Justiça norte-americana. Em tom triunfalista, o secretário afirmou que a operação ocorreu sem mortes de norte-americanos, sugerindo ainda que sistemas de defesa associados à Rússia não teriam sido eficazes.
Ao falar sobre o episódio, Hegseth declarou: “À medida que quase 200 dos nossos maiores americanos foram para o centro de Caracas” para capturar “um indivíduo indiciado procurado pela Justiça americana em apoio à aplicação da lei sem que um único americano fosse morto”.
Na sequência, o secretário acrescentou, em provocação direta: “Parece que aquelas defesas aéreas russas não funcionaram tão bem assim”.
Declaração amplia a crise e expõe escalada retórica
A fala de Hegseth, se confirmada em seus termos, representa uma escalada grave na retórica de Washington contra Caracas, ao sugerir que militares dos EUA teriam atuado diretamente em solo venezuelano em uma operação vinculada a uma tentativa de captura do chefe de Estado do país. O episódio, descrito como uma operação para “capturar” Maduro, tem potencial para ampliar tensões diplomáticas e militares na região, além de reforçar o clima de confronto entre Estados Unidos, Venezuela e Rússia.
A menção às “defesas aéreas russas” também adiciona um componente geopolítico relevante. A Venezuela mantém relações estratégicas com Moscou em diversas áreas, incluindo cooperação militar e aquisição de equipamentos. Ao ironizar o desempenho dessas defesas, Hegseth sinaliza que o alvo de sua mensagem não era apenas Caracas, mas também a Rússia — num momento em que rivalidades globais se acirram.
Operação e narrativa dos EUA: “apoio à aplicação da lei”
Na versão apresentada por Hegseth, a ação teria sido justificada como suporte a forças de “aplicação da lei”, amparada pela alegação de que o alvo seria um “procurado” pela Justiça dos EUA. O secretário, porém, não detalhou quais autoridades teriam participado, que tipo de coordenação teria havido, nem sob qual base legal a operação teria sido executada em território venezuelano.
A declaração também traz um elemento simbólico central: a tentativa de enquadrar uma ação de natureza evidentemente política e internacional como se fosse uma operação policial, minimizando as implicações de soberania e as consequências diplomáticas. Em situações semelhantes, esse tipo de narrativa costuma ser alvo de críticas por reforçar práticas de intervenção externa e por violar princípios fundamentais do direito internacional.
Riscos para a soberania venezuelana e para a estabilidade regional
A simples admissão pública de que centenas de militares norte-americanos teriam atuado “no centro de Caracas” em uma operação para capturar o presidente do país — ainda que sob o pretexto de “aplicação da lei” — pode ser interpretada como uma afronta direta à soberania da Venezuela. Em um cenário já marcado por sanções, tentativas de isolamento internacional e conflitos narrativos, a fala de Hegseth adiciona combustível a uma conjuntura explosiva.
Caso haja reação oficial do governo venezuelano ou de aliados internacionais, o episódio pode se transformar em novo foco de crise, com repercussões na diplomacia regional e nos debates sobre ingerência estrangeira na América Latina.
Provocação à Rússia e disputa de poder global
Ao afirmar que as “defesas aéreas russas” não teriam funcionado, Hegseth reposiciona a declaração como parte de uma disputa maior: a sinalização de força dos EUA diante da influência russa em países estratégicos. A Venezuela, historicamente, tornou-se um dos pontos de atrito mais sensíveis nessa disputa, justamente por sua proximidade com Moscou e por sua importância geopolítica no hemisfério ocidental.
Nesse contexto, a frase pode ser lida como uma tentativa de demonstrar capacidade de ação dos EUA em uma área que Washington considera sua zona de influência — mesmo às custas de grave tensão diplomática.
O que se sabe até agora
Até o momento, a informação disponível se baseia no relato publicado pela TASS com base nas declarações de Hegseth. O secretário descreveu a presença de aproximadamente 200 militares em Caracas e afirmou que a operação visava capturar Maduro, classificando o alvo como “indiciado” e “procurado”. Ele também sugeriu que a ação ocorreu sem baixas norte-americanas e ironizou o suposto sistema de defesa russo.
A repercussão internacional e eventuais respostas de Caracas, Moscou ou de organismos multilaterais deverão indicar se as declarações serão tratadas como bravata política, confirmação de uma operação sensível ou elemento de uma campanha mais ampla de pressão sobre o governo venezuelano.



