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Irã acusa Reino Unido de “participação na agressão” ao ceder bases aos EUA

Teerã alerta que decisão britânica pode ampliar tensões no Oriente Médio e responsabiliza Londres por apoio indireto a ataques

Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer 19/01/2026 Jordan Pettitt/Pool via REUTERS (Foto: Jordan Pettitt/Pool via REUTERS)

247 - O governo do Irã elevou o tom contra o Reino Unido após a decisão de permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares britânicas em operações na região. Em conversa telefônica com autoridades britânicas, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyyed Abbas Araghchi, afirmou que a medida será interpretada por Teerã como uma participação direta em ações hostis. A declaração consta em um relato oficial da ligação divulgado pelas autoridades iranianas.

Durante o diálogo, Araghchi criticou a postura britânica diante da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, classificando-a como “negativa e tendenciosa”. Segundo ele, a autorização para uso das bases militares britânicas pelos EUA “certamente será considerada participação em agressão”.

A resposta do governo britânico veio por meio de um porta-voz de Downing Street, que buscou minimizar o alcance da decisão. De acordo com a autoridade, o Reino Unido concedeu acesso às suas instalações militares apenas “para um propósito específico, defensivo e limitado”, em reação aos ataques iranianos na região do Oriente Médio.

O porta-voz reforçou que Londres não pretende se envolver diretamente em um conflito mais amplo. “Nossa posição tem sido absolutamente clara desde o início. Não participamos dos ataques iniciais e não vamos nos envolver em uma guerra mais ampla”, afirmou.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, havia inicialmente rejeitado o pedido de Washington para utilizar bases do Reino Unido em operações ofensivas contra o Irã, por considerar a ação ilegal. No entanto, a postura mudou parcialmente após ativos militares britânicos no Oriente Médio serem atingidos durante a retaliação iraniana, levando Londres a integrar esforços defensivos na região.

O episódio evidencia o aumento das tensões diplomáticas e militares, com o Irã ampliando críticas ao envolvimento indireto de potências ocidentais no conflito e sinalizando possíveis consequências para países que, na avaliação de Teerã, apoiem ações consideradas agressivas.

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