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Irã ainda não tomou decisão definitiva sobre negociações e critica comportamento contraditório dos EUA

"Não é indecisão; o motivo são as mensagens e os comportamentos contraditórios e as ações inaceitáveis da parte americana", afirmou Esmaeil Baghaei

Outdoor oficial anuncia negociações entre Irã e EUA no Paquistão (Foto: Reuters)

247 - O Irã ainda não tomou uma decisão definitiva sobre participar das negociações com os Estados Unidos no Paquistão, segundo informou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, nesta terça-feira (21). De acordo com a imprensa iraniana, a indefinição está ligada à conduta recente de Washington no contexto do conflito. As informações são da RT Brasil.

Baghaei afirmou que "o motivo não é indecisão; o motivo são as mensagens contraditórias, os comportamentos contraditórios e as ações inaceitáveis da parte americana". Segundo ele, episódios como violações do cessar-fogo e o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos influenciam diretamente a avaliação de Teerã.

O porta-voz indicou que a participação nas negociações dependerá do rumo das tratativas. "Desde que as negociações sejam orientadas para resultados, o Irã decidirá sobre sua participação", declarou.

Relatos divergentes sobre encontro em Islamabad

As declarações ocorrem em meio a informações conflitantes sobre a realização da segunda rodada de negociações no Paquistão. A CNN noticiou que o encontro poderá ocorrer na manhã de quarta-feira (22), com delegações lideradas pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Outras fontes, no entanto, contestam essa versão, enquanto a agência Reuters aponta incerteza quanto à realização do encontro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Teerã enviaria representantes para Islamabad. "Eu disse que eles iriam enviá-los. Eles não têm outra escolha a não ser enviá-los", declarou.

Impasse após trégua e disputa no Estreito de Ormuz

No dia 7 de abril, Estados Unidos e Irã firmaram um cessar-fogo de duas semanas e concordaram em reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo. A primeira rodada de negociações terminou sem acordo.

Após o fracasso das tratativas, Trump atribuiu a responsabilidade ao Irã, alegando que o país se recusou a abandonar seu programa nuclear e decidiu restringir o tráfego no estreito. Em seguida, o governo estadunidense passou a aplicar, desde 13 de abril, um bloqueio total a navios que operam nos portos e zonas costeiras iranianas.

Na sexta-feira (17), o Irã havia reaberto o Estreito de Ormuz para embarcações comerciais, mas voltou a impor controle militar no dia seguinte, alegando violações e atos de pirataria por parte dos Estados Unidos. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que a passagem permanecerá fechada até o fim do bloqueio naval e declarou que embarcações que se aproximarem poderão ser alvo de ataque.

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