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Paquistão aguarda resposta do Irã sobre negociações de última hora com EUA

"A resposta formal do lado iraniano sobre a confirmação para participar das negociações de paz em Islamabad ainda é aguardada", disse ministro paquistanês

Soldado do Exército paquistanês caminha nas dependências do Hotel Serena enquanto o Paquistão se prepara para sediar os Estados Unidos e o Irã na segunda fase das negociações de paz em Islamabad, Paquistão, 21 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Akhtar Soomro)

247 - O governo do Paquistão informou nesta terça-feira (21) que ainda não recebeu confirmação do Irã sobre a participação em negociações de última hora com os Estados Unidos, previstas para ocorrer em Islamabad. O encontro ocorre a poucos dias do fim do cessar-fogo no conflito iniciado pelas agressões estadunidenses e de Israel ao território iraniano. As informações são da agência Reuters.

De acordo com o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, "a resposta formal do lado iraniano sobre a confirmação da delegação para participar das negociações de paz em Islamabad ainda é aguardada". Ele afirmou ainda que o país mantém contato constante com autoridades iranianas e segue apostando na via diplomática para viabilizar o diálogo.

Trump descarta estender cessar-fogo

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou esperar alcançar um "grande acordo" para encerrar o conflito, mas indicou que não pretende prorrogar o cessar-fogo. Em entrevista, afirmou: "Não quero fazer isso. Não temos tanto tempo." Ele acrescentou que espera bombardeios caso não haja acordo e disse que as forças militares estão prontas para agir.

No campo diplomático, o vice-presidente JD Vance, que deve liderar a delegação estadunidense, ainda não havia embarcado para o Paquistão até a manhã desta terça-feira (21). Segundo a Casa Branca, ele participaria de reuniões adicionais antes da viagem. Em Islamabad, o centro da cidade foi isolado e um hotel de luxo preparado para receber as delegações.

Escalada militar e tensão no Golfo

A tensão aumentou após forças militares dos Estados Unidos interceptarem um petroleiro iraniano no Oceano Índico. A embarcação transportava cerca de 2 milhões de barris de petróleo e tinha como destino Singapura. O comando militar afirmou que a operação ocorreu sem incidentes e integra ações para interromper redes consideradas ilegais, sob a ótica estadunidense, de apoio ao Irã.

A medida pode dificultar a participação iraniana nas negociações. Autoridades de Teerã já haviam citado o bloqueio de navios como um obstáculo ao diálogo. Após a abordagem do petroleiro, fontes iranianas indicaram que o país ainda avalia se participará das conversas.

No cenário regional, o Irã mantém restrições ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A decisão impacta diretamente o mercado internacional, retirando cerca de 20 milhões de barris diários do fluxo global. Diante da incerteza, bolsas de valores registraram queda e os preços do petróleo subiram cerca de 3%.

O programa nuclear iraniano segue como um dos principais pontos de impasse. O governo estadunidense exige a eliminação de estoques de urânio altamente enriquecido, enquanto Teerã busca preservar parte de seu programa, que afirma ter fins pacíficos, além de pressionar pelo fim das sanções.

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