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Irã denuncia operação de falsa bandeira de Israel e acusa tentativa de ruptura com países vizinhos

Mojtaba Khamenei afirma que ataques atribuídos ao Irã na Turquia e em Omã não foram executados por forças iranianas

Mojtaba Khamenei (Foto: Reprodução)

247 – O líder supremo da Revolução Islâmica do Irã, Mojtaba Khamenei, denunciou nesta sexta-feira operações de falsa bandeira atribuídas a Israel e acusou o governo israelense de tentar semear divisão entre a República Islâmica e países vizinhos. A informação foi divulgada originalmente pela teleSUR, com base em agências de notícias e em declarações públicas do dirigente iraniano.

Segundo a teleSUR, Mojtaba Khamenei afirmou que ataques ocorridos contra alvos em países da região, como a Turquia e Omã, não foram realizados por forças iranianas nem pelo chamado eixo da resistência. Em declaração publicada em suas redes sociais, ele atribuiu esses episódios a uma manobra do “inimigo sionista” destinada a romper a relação entre Teerã e seus vizinhos.

“Os ataques contra alguns lugares da Turquia e de Omã são um ardil que o inimigo sionista utiliza para semear divisão entre a República Islâmica do Irã e seus vizinhos, e é possível que isso ocorra também em outros países”, afirmou Mojtaba Khamenei.

Acusação de guerra midiática

Além de rejeitar a responsabilidade iraniana por determinados ataques, Mojtaba Khamenei afirmou que parte central da estratégia dos adversários de Teerã é uma “operação mediática” voltada a influenciar a percepção pública e abalar a coesão interna do país.

De acordo com a teleSUR, ele sustentou que essas ações têm como alvo a “psique” da população e buscam enfraquecer a “unidade nacional” e comprometer a “segurança”. A fala reforça a leitura iraniana de que o país enfrenta uma guerra híbrida, combinando ações militares, psicológicas e informacionais.

“Nosso povo viveu três guerras”

Em sua manifestação, Mojtaba Khamenei também fez referência ao que classificou como três grandes confrontos enfrentados pelo povo iraniano no último período, acompanhando a declaração com condolências às famílias das vítimas.

“Expresso minhas condolências aos familiares e próximos dos mártires da Guerra Imposta dos 12 Dias, do golpe de Estado de janeiro e desta última guerra imposta, assim como aos mártires da segurança e da guarda fronteiriça”, declarou.

Em seguida, detalhou sua visão sobre os eventos recentes:

“No ano transcorrido, nosso povo viveu três guerras militares e de segurança. A primeira foi a do mês de junho passado, quando o inimigo sionista, com a ajuda direta dos EUA e em plenas negociações, infligiu o martírio a cerca de mil de nossos compatriotas”.

Referência ao “golpe de Estado de janeiro”

O líder iraniano também mencionou um segundo episódio, descrito como um “golpe de Estado de janeiro”, que, segundo sua versão, teria sido articulado externamente para explorar fragilidades econômicas e promover instabilidade interna.

“A segunda guerra foi o golpe de Estado de janeiro. Os EUA e o regime sionista, acreditando que os problemas econômicos impostos fariam com que o povo iraniano levasse à prática o plano do inimigo, perpetraram inúmeras atrocidades utilizando seus mercenários”, afirmou.

Ataque à cúpula e tentativa de desmembramento

Mojtaba Khamenei também descreveu o atual conflito como parte de uma estratégia mais ampla, voltada a atingir o núcleo dirigente do país.

“A guerra atual se desatou sob a ilusão de que, se o inimigo conseguisse martirizar a cúpula do sistema e algumas figuras militares influentes, geraria medo e desesperança no povo e assim realizaria seu sonho de dominar o Irã e depois desmembrá-lo”, concluiu.

Escalada militar e impacto regional

A teleSUR relata que Israel e Estados Unidos realizaram ataques conjuntos contra o Irã em 28 de fevereiro, atingindo lideranças e infraestrutura estratégica, o que desencadeou uma forte resposta iraniana e uma escalada militar regional.

Desde então, o Irã tem realizado ataques com mísseis e drones contra alvos israelenses e bases norte-americanas no Oriente Médio, além de atingir instalações energéticas ligadas aos Estados Unidos e restringir o fluxo no estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Esse cenário tem ampliado a tensão global e provocado impactos diretos no mercado energético, elevando preços e aumentando o risco de um conflito de maior escala.

Disputa por narrativa e influência regional

A denúncia de Mojtaba Khamenei sobre operações de falsa bandeira evidencia que o conflito também se desenvolve no campo informacional e diplomático. Ao negar a autoria de ataques e atribuí-los a Israel, Teerã busca preservar suas relações com países vizinhos e evitar isolamento regional.

Ao mesmo tempo, o discurso reforça a mobilização interna e a ideia de resistência nacional diante de uma ofensiva externa combinada. A crise avança em múltiplas frentes — militar, política, econômica e comunicacional — e coloca o Oriente Médio em um dos momentos mais delicados das últimas décadas.

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