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Irã diz que não fará concessões em negociações com os EUA

Teerã afirma que defenderá seus direitos nacionais em meio à mediação do Paquistão e às tensões após semanas de guerra

Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano (Foto: Reuters)
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247 - O Irã afirmou que não fará concessões em negociações com os Estados Unidos e que seguirá defendendo seus direitos nacionais em meio à mediação do Paquistão e às tensões após semanas de guerra, em um cenário agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz para a maior parte do transporte marítimo, relata a Reuters.

A declaração foi feita neste sábado (23) pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, durante conversas em Teerã com o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir. Segundo a televisão estatal iraniana, Qalibaf disse que Washington não é uma parte confiável nas tratativas destinadas a encerrar o conflito e que Teerã não abrirá mão de seus direitos nacionais.

A ofensiva diplomática conduzida pelo Paquistão busca reduzir as divergências entre Irã e Estados Unidos depois de semanas de guerra. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz para a maior parte dos navios, mesmo sob um cessar-fogo considerado instável, provocando impactos nos mercados globais de energia.

De acordo com a imprensa estatal iraniana, Asim Munir também se reuniu com o presidente Masoud Pezeshkian, na presença do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. O chanceler iraniano teve dois encontros com o chefe militar paquistanês antes de sua saída do país.

As discussões, segundo os relatos, giraram em torno de um documento de 14 pontos proposto pelo Irã, que Teerã considera a principal base para as negociações. Também foram abordadas mensagens trocadas entre os dois lados.

Qalibaf afirmou que o Irã continuará buscando seus “direitos legítimos”, tanto no campo de batalha quanto pela via diplomática. Ao mesmo tempo, declarou que o país não pode confiar em “uma parte que não tem honestidade alguma”, acusação já feita anteriormente por autoridades iranianas contra os Estados Unidos.

O dirigente iraniano também disse que as Forças Armadas do país reconstruíram suas capacidades durante o cessar-fogo. Segundo ele, se os Estados Unidos “tolamente reiniciarem a guerra”, as consequências serão “mais contundentes e amargas” do que no início do conflito.

Na sexta-feira (22), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington observou algum avanço em direção a um acordo, mas ressaltou que ainda há trabalho a ser feito. Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que as diferenças entre as partes continuam profundas e significativas.

Apesar das semanas de confronto, o Irã manteve seu estoque de urânio enriquecido a nível próximo ao necessário para armas nucleares, além de capacidades com mísseis, drones e aliados regionais. Estados Unidos e Israel afirmam que buscam conter essas capacidades.

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