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Irã e EUA se preparam para nova rodada de negociações no Paquistão

Delegações discutem extensão do cessar-fogo e possível encontro de presidentes em Islamabad

Outdoor oficial anuncia negociações entre Irã e EUA no Paquistão (Foto: Reuters)

247 - Delegações do Irã e dos Estados Unidos devem retomar negociações em Islamabad, no Paquistão, com expectativa de discutir a extensão do cessar-fogo e avançar em um possível acordo diplomático, segundo fontes iranianas ouvidas pela CNN.

A equipe iraniana prevista para viajar ao Paquistão deve ser a mesma da rodada anterior, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Ainda não há confirmação oficial de Teerã sobre a viagem, apesar do anúncio prévio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As negociações ocorrem após uma tentativa frustrada de acordo no último fim de semana. Os representantes iranianos esperam que haja, ao menos, um anúncio simbólico conjunto sobre a prorrogação do cessar-fogo na quarta-feira (22). Caso haja avanços concretos e com a presença de Trump em Islamabad, existe a possibilidade de um encontro entre os presidentes dos dois países, com a assinatura de uma declaração conjunta conhecida como “Declaração de Islamabad”.

Em paralelo às movimentações diplomáticas, Trump confirmou neste domingo (19) o envio de representantes norte-americanos ao Paquistão para tratar diretamente com o Irã. A declaração foi feita em meio a acusações de que Teerã teria violado o acordo de cessar-fogo no Estreito de Ormuz.

“Irã decidiu disparar tiros ontem no Estreito de Ormuz — uma violação total do nosso acordo de cessar-fogo! Muitos deles foram direcionados a um navio francês e a um cargueiro do Reino Unido. Isso não foi bom, foi?”, afirmou Trump em publicação nas redes sociais.

O presidente norte-americano acrescentou que seus enviados chegariam a Islamabad para negociações e indicou que o enviado especial Steve Witkoff participaria das conversas, com envolvimento também de Jared Kushner.

Trump também criticou ações recentes do Irã na região estratégica, afirmando que o fechamento do Estreito de Ormuz prejudicaria mais o próprio país. “Irã anunciou recentemente que estava fechando o estreito, o que é estranho, porque nosso bloqueio já o fechou. Eles estão nos ajudando sem saber, e são eles que perdem com a passagem fechada, 500 milhões de dólares por dia! Os Estados Unidos não perdem nada”, declarou.

Segundo ele, mudanças nas rotas marítimas já estariam ocorrendo. “Na verdade, muitos navios estão indo agora para os Estados Unidos, Texas, Louisiana e Alasca, para carregar, cortesia da IRGC, sempre querendo ser ‘o durão!’”, afirmou.

O presidente norte-americano disse ainda que Washington apresentou uma proposta que considera “justa e razoável”, mas fez um alerta em caso de fracasso das negociações. “Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que aceitem, porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir cada usina de energia e cada ponte no Irã. Chega de fazer o bonzinho!”, declarou.

Em tom ainda mais incisivo, Trump concluiu: “Eles vão ceder rápido, vão ceder fácil e, se não aceitarem o acordo, será uma honra fazer o que precisa ser feito, o que deveria ter sido feito ao Irã por outros presidentes nos últimos 47 anos. É hora de acabar com a máquina de matar do Irã!”.

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