HOME > Mundo

Irã reafirma unidade nacional e rebate declarações de Trump

Autoridades iranianas negam divisões internas e destacam coesão política diante de afirmações do presidente dos Estados Unidos

Líderes dos Poderes iranianos (Foto: Mídia iraniana/Telesur)

247 - As principais lideranças do Irã reagiram às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A cúpula iraniana reforça a unidade política do país e rejeita a existência de divisões internas. Em resposta às declarações de Trump, autoridades iranianas afirmaram que a nação segue coesa e alinhada sob uma mesma orientação estratégica.

De acordo com informações divulgadas pela Telesur, o presidente Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Qalibaf e o chefe do Judiciário, Qolam Hossein Mohseni Eyei, emitiram uma declaração conjunta reiterando que o Irã permanece unido, sem distinção entre grupos políticos.

No comunicado, os três líderes foram enfáticos ao afirmar: “Não existem extremistas ou moderados no Irã, somos todos iranianos e revolucionários”. Eles também destacaram o princípio que orienta o país: “Um Deus, um líder, uma nação e um caminho; e o caminho para a vitória do Irã é mais valioso que a própria vida”.

A declaração enfatiza ainda que o funcionamento das instituições ocorre de forma coordenada e disciplinada. Segundo o texto, “com a unidade inabalável da nação e do Governo, e obedecendo plenamente ao Líder da Revolução Islâmica, faremos com que o agressor criminoso se arrependa”.

A resposta iraniana ocorre após Trump afirmar que o país enfrenta uma suposta “luta interna” entre diferentes correntes políticas. O presidente dos Estados Unidos também declarou que o Irã estaria com dificuldades para identificar sua liderança em meio a reveses militares.

Além da manifestação dos chefes dos três poderes, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também comentou o tema. Em publicação na rede X, ele afirmou que “o fracasso dos atentados terroristas de Israel se reflete na forma como as instituições do Estado iraniano continuam a agir com unidade, propósito e disciplina”.

O chanceler acrescentou: “As frentes militar e diplomática estão perfeitamente alinhadas nesta mesma guerra. Todos os iranianos estão mais unidos do que nunca”.

No âmbito internacional, o representante permanente do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir-Saeid Iravani, denunciou ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel contra infraestrutura civil e de comunicação no país. Segundo ele, os alvos incluíram centros de pesquisa, hospitais, fábricas farmacêuticas e instalações científicas.

Entre os locais citados estão o Instituto de Pesquisa de Sistemas de Satélite, o Observatório Khayyam, estações de radiodifusão e o Instituto Pasteur do Irã. O diplomata afirmou que essas estruturas são voltadas exclusivamente para fins científicos e pacíficos, classificando os ataques como crimes de guerra e violação da Carta da ONU e do Tratado do Espaço Exterior de 1967.

O contexto de tensão envolve uma escalada militar iniciada em fevereiro, com ataques aéreos que, segundo autoridades iranianas, deixaram milhares de mortos. Em resposta, o Irã lançou ofensivas contra alvos estratégicos ligados aos Estados Unidos e a Israel na região.

As negociações diplomáticas seguem paralisadas após um cessar-fogo temporário intermediado pelo Paquistão. Trump prorrogou unilateralmente a trégua, afirmando aguardar uma proposta iraniana para retomar o diálogo. Teerã, no entanto, condiciona qualquer avanço à suspensão do bloqueio marítimo, que considera um ato de guerra.

Autoridades iranianas apontam ainda que exigências consideradas excessivas por parte de Washington e mudanças de posição dos Estados Unidos dificultam a retomada das negociações e a construção de um acordo para encerrar o conflito.

Artigos Relacionados