Israel intensifica cerco a Gaza e agrava crise humanitária
Organizações denunciam escassez de alimentos e bloqueio de saída de pacientes após restrições impostas por Israel na Faixa de Gaza
247 - Organizações civis e humanitárias denunciaram o agravamento da crise na Faixa de Gaza diante da intensificação do cerco imposto por Israel. Segundo os relatos, a população enfrenta crescente escassez de alimentos e medicamentos, enquanto pacientes doentes e feridos encontram dificuldades para deixar o território e buscar tratamento médico no exterior.
As informações foram divulgadas pela agência Prensa Latina, que reuniu declarações de representantes de entidades humanitárias atuantes na região sobre o impacto das restrições impostas ao enclave palestino.
Fechamento da passagem de Rafah preocupa entidades
Raed Al-Nims, porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho em Gaza, criticou a manutenção do fechamento da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito. Ele destacou que, apesar de anúncios na mídia regional sobre uma possível reabertura limitada, a travessia segue bloqueada.
O porta-voz lembrou que o mecanismo previsto nos acordos de trégua estabelecia a saída diária de cerca de 50 pacientes para tratamento no exterior, acompanhados por familiares. No entanto, segundo ele, esse número não foi cumprido por Israel nem antes do fechamento da passagem, ocorrido após o ataque contra o Irã.
Al-Nims também ressaltou a dimensão da crise de saúde no território, afirmando que há aproximadamente 350 mil pessoas com doenças crônicas em Gaza. Além disso, indicou que mais de 170 mil cidadãos foram feridos desde o início da atual escalada de violência, em outubro de 2023.
Redução de ajuda humanitária amplia crise
O diretor executivo da Rede de ONGs Palestinas, Amjad Al-Shawa, também alertou para o agravamento da situação humanitária. Segundo ele, há uma estratégia deliberada de intensificação da crise por meio da redução da ajuda.
Ele criticou “a estratégia da ocupação israelense de agravar a crise humanitária” ao limitar a entrada de caminhões com assistência e impor restrições a diversos produtos essenciais.
De acordo com Al-Shawa, o volume de ajuda atualmente permitido é muito inferior ao previsto: “Atualmente, os produtos que recebemos não ultrapassam um terço da quantidade acordada no protocolo humanitário do acordo de cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro do ano passado”.
O dirigente também acusou o governo de Benjamin Netanyahu de utilizar a fome como instrumento de pressão sobre a população da Faixa de Gaza, em meio ao prolongamento do conflito e ao bloqueio de suprimentos básicos.


