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Israel restringe evacuação de pacientes em Gaza

Autoridades de saúde alertam que mais de 20 mil pacientes aguardam tratamento fora da Gaza e denunciam lentidão na passagem de Rafah

Passagem de Rafah (Foto: Reuters)

247 - As autoridades de saúde da Faixa de Gaza denunciaram nesta segunda-feira (16) que Israel vem impondo restrições à circulação de pessoas pela passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, dificultando a evacuação de pacientes em estado grave e piorando ainda mais a crise humanitária no território palestino.

A denúncia foi publicada pela Prensa Latina, a partir de declarações do Ministério da Saúde local, que afirmou acompanhar com “grande preocupação e consternação” a operação parcial e limitada do posto fronteiriço, em um momento de deterioração acelerada das condições sanitárias em Gaza.

Segundo o órgão, mais de 20 mil pacientes aguardam autorização para sair do território em busca de atendimento médico adequado no exterior. Entre os casos listados estão pessoas com câncer, doenças cardíacas, insuficiência renal e ferimentos graves. A situação, de acordo com o ministério, é ainda mais crítica porque muitos necessitam de cirurgias avançadas indisponíveis em Gaza após a destruição do sistema de saúde provocada pela ofensiva israelense.

Embora a passagem de Rafah tenha sido reaberta em 2 de fevereiro, o número de pessoas autorizadas a cruzar a fronteira segue extremamente reduzido. Para as autoridades sanitárias, o volume de evacuações “não reflete a magnitude da tragédia” enfrentada no enclave.

O Ministério da Saúde afirmou ter recebido relatos dramáticos de pacientes e feridos que conseguiram viajar, mas que enfrentaram obstáculos adicionais. De acordo com o comunicado, foram registrados “testemunhos duros e dolorosos” de pessoas submetidas a “procedimentos restritivos e injustificados”, além de complicações durante o processo.

A pasta alertou que a limitação no número de viajantes e o atraso nas evacuações de pacientes representam uma ameaça direta à vida de milhares de pessoas e contribuem para o aprofundamento da crise humanitária na Faixa de Gaza.

A crítica também foi reforçada na semana passada pela ONG Save the Children, que denunciou a lentidão no processo de retirada de doentes e feridos. Segundo a entidade, caso o ritmo atual continue, seriam necessários 4,5 anos para permitir a saída de aproximadamente 20 mil pessoas que precisam de tratamento fora do território, incluindo cerca de 4 mil crianças.

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