Keir Starmer diz que cabe aos EUA justificar ataque à Venezuela
“Precisamos de uma transição pacífica para a democracia”, disse o premiê britânico
247 - O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta segunda-feira (5) que cabe aos Estados Unidos explicar e justificar a operação realizada na Venezuela que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Segundo ele, o episódio envolve grande complexidade política e jurídica e não pode ser analisado de forma simplificada. As informações são da Reuters.
Starmer reiterou que a posição britânica em relação à Venezuela permanece inalterada e defendeu uma solução política que leve a uma transição democrática sem o uso da violência.
“O que precisamos na Venezuela é uma transição pacífica para a democracia. Essa era a nossa posição antes deste fim de semana e continua sendo a nossa posição”, afirmou o primeiro-ministro britânico.
Starmer destacou que o direito internacional deve ser o principal parâmetro para avaliar ações adotadas por qualquer governo. “O direito internacional é a estrutura, é a âncora ou o referencial pelo qual julgamos as ações de todos os outros governos. E é, claro, responsabilidade dos Estados Unidos justificar a ação que tomaram. Não é algo simples. É complicado, e mesmo hoje há novos desdobramentos”, declarou.
No último sábado, autoridades norte-americanas realizaram uma operação em território venezuelano e levaram Nicolás Maduro para Nova York, onde ele deve responder a acusações relacionadas ao tráfico de drogas. O episódio provocou reações internacionais e levantou debates sobre soberania e legalidade das ações adotadas.
Um porta-voz de Starmer afirmou que a ação dos Estados Unidos não pode ser comparada à invasão da Ucrânia pela Rússia. O governo britânico tem classificado de forma reiterada a ofensiva russa como ilegal e impôs o que descreve como o maior pacote de sanções já aplicado contra Moscou.
“Acho que comparações entre os acontecimentos do fim de semana e a invasão não provocada e em grande escala de um Estado soberano e democrático não se sustentam”, disse o porta-voz do primeiro-ministro.
O representante do governo britânico acrescentou ainda que Londres mantém uma posição crítica em relação ao processo político venezuelano, afirmando que “sempre deixamos claro que o governo de Maduro na Venezuela é fraudulento”.



