Kremlin critica recusa da Europa aos recursos energéticos russos: "tiro no próprio pé"
Dmitry Peskov, porta-voz da Presidência russa, destacou os efeitos negativos da medida europeia
247 - O porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou nesta sexta-feira (20), em declarações à Sputnik, que a Europa "continua dando um tiro no próprio pé, ou melhor, no pé de seus eleitores", ao recusar recursos energéticos provenientes da Rússia. Peskov comentou especificamente a posição da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que descartou totalmente a possibilidade de os países da UE adquirirem gás russo, mesmo diante de possível escassez de suprimentos. As informações são da RT Brasil.
Segundo Peskov, a escolha da União Europeia de abandonar o gás russo, historicamente mais barato e base de sua indústria, em favor do gás natural liquefeito estadunidense, mais caro, trouxe efeitos negativos imediatos. "Já agora é evidente que os eleitores europeus não votarão mais nessas pessoas; isso já está claro neste momento", destacou o porta-voz.
Instabilidade energética
A decisão de rejeitar o fornecimento russo ocorre em meio a tensões geopolíticas e tem impacto direto no custo da energia. A substituição por gás liquefeito dos EUA eleva os preços, pressionando famílias e empresas e contribuindo para o fechamento de fábricas, demissões e enfraquecimento econômico em diversos países europeus. Além disso, a guerra contra o Irã intensificou ainda mais os preços de petróleo e gás. Como consequência, a União Europeia enfrenta um cenário de energia mais cara e insegurança no abastecimento, o que pode afetar o cotidiano de milhões de cidadãos.
Os efeitos da instabilidade energética ficaram evidentes já na quinta-feira (19), quando a cotação do gás natural na Europa subiu até 35%, refletindo temores de interrupções no fornecimento após o ataque ao complexo industrial catariano de Ras Laffan. O Kremlin reforça que a política de recusar o gás russo, além de onerar consumidores, pode ter consequências políticas internas nos países da UE, ao descontentar eleitores e pressionar governos sobre decisões energéticas estratégicas.


