Lavrov alerta para consequências globais de novos ataques ao Irã
Chanceler russo diz que ataques ofensivas contra instalações nucleares elevam riscos
247 - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou nesta quarta-feira (18), que novos ataques contra o Irã poderão gerar impactos negativos para toda a comunidade internacional.
Em entrevista ao canal de televisão Al Arabiya, o chanceler destacou que ações militares adicionais poderiam ampliar a instabilidade no Oriente Médio e comprometer ainda mais o sistema global de controle nuclear, informa a TASS.A declaração foi divulgada pela agência estatal russa TASS, que relatou o alerta de Lavrov sobre os riscos de novas ofensivas . “As consequências seriam adversas”, referindo-se aos riscos acarretados por eventuais ataques militares contra instalações nucleares iranianas supervisionadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Lavrov lembrou que instalações nucleares do Irã já foram alvo de ataques no passado, mesmo estando sob inspeção da AIEA. Segundo ele, as ofensivas conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel em junho de 2025 enfraqueceram a autoridade da agência e também do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
O chanceler afirmou que a escalada militar daquele período colocou a região “à beira do desastre”, destacando que “havia riscos reais de um incidente nuclear”.Ainda de acordo com Lavrov, a situação atual estaria relativamente controlada. “A situação está mais ou menos estável neste momento, a julgar pelos dados dos nossos colegas iranianos”, disse.Apesar disso, ele apontou que os ataques forçaram o Irã a revisar medidas de segurança em torno de materiais nucleares. “Os ataques às instalações nucleares obrigaram os iranianos a refletir sobre a proteção física dos materiais nucleares, que, repito, estão sob o controle da AIEA e não podem ser 'tocados'”, afirmou.
Críticas ao impacto sobre o TNP e a AIEA
Lavrov também acusou Washington e Tel Aviv de terem provocado danos institucionais ao sistema internacional de fiscalização nuclear. Para ele, além de riscos físicos, os ataques comprometeram pilares da governança global sobre energia atômica.
Segundo o ministro, tais ações “minaram a autoridade da AIEA e do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares”, mecanismos que, conforme ressaltou, são considerados obrigatórios segundo repetidas declarações oficiais do governo iraniano.
Lavrov rejeita acusações contra Teerã
Ao comentar as acusações recorrentes de que o Irã estaria violando compromissos nucleares, Lavrov afirmou que o país nunca foi formalmente responsabilizado por descumprir o TNP ou seu acordo de garantias com a AIEA.
O chanceler disse que, após a assinatura do acordo nuclear conhecido como JCPOA, a fiscalização da AIEA sobre o programa iraniano foi “sem precedentes”. Ainda assim, ele observou que Teerã “nunca foi considerada culpada” de violar os tratados.
Lavrov atribuiu o aumento das tensões políticas ao rompimento unilateral dos Estados Unidos com o JCPOA em 2018. “Todos os riscos e tensões políticas surgiram depois que os Estados Unidos se retiraram do JCPOA em 2018, três anos após o início de seu mandato”, declarou.


