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Líderes europeus criam grupo de WhatsApp para reagir à política externa “selvagem” de Trump

Conversas reuniriam Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Finlândia e União Europeia em meio a tensões sobre a Groenlândia e ameaça de tarifas

Macron participa de reunião com Trump, Zelensky e outros líderes europeus na Casa Branca - 18/08/2025 (Foto: Alexander Drago/Reuters)

247 – Líderes da Europa Ocidental estão trocando mensagens em um grupo de chat para coordenar respostas à política externa “selvagem” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo reportagem do site Politico publicada nesta segunda-feira. A iniciativa, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo veículo, busca acelerar a articulação entre governos diante de decisões imprevisíveis vindas de Washington.

Segundo o Politico, o grupo recebeu o apelido de “Washington Group” e reuniria líderes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Finlândia e da União Europeia. A ideia seria estabelecer um canal de comunicação direta e rápida, que permita alinhar posições e preparar respostas conjuntas sempre que Trump adotar medidas consideradas abruptas ou potencialmente prejudiciais ao continente europeu.

De acordo com o relato, ao longo do último ano os líderes teriam criado uma rotina de troca de mensagens sempre que Trump faz “algo selvagem e potencialmente danoso”. A fonte citada pela publicação afirmou que o mecanismo se tornou especialmente útil em momentos de crise e mudanças rápidas. “Quando as coisas começam a se mover rapidamente, é difícil fazer a coordenação, e este grupo [chat] é realmente eficaz”, disse uma pessoa familiarizada com o assunto. A mesma fonte destacou ainda que o grupo revela o peso das relações pessoais entre os chefes de governo: “Isso diz muito sobre as relações pessoais e como elas importam”.

A reportagem aponta que a mais recente escalada envolvendo a Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca, aumentou a urgência para que os líderes europeus se coordenem. O motivo seria a retomada de ameaças de Trump de anexar a ilha, que ocupa posição estratégica no Ártico e é alvo de crescente interesse geopolítico e militar.

Na semana passada, segundo o Politico, vários países europeus — incluindo Alemanha, França, Suécia, Noruega e Reino Unido — enviaram entre um e 15 militares para a Groenlândia em um exercício militar liderado pela Dinamarca. O texto afirma que o contingente alemão já teria retornado, mas o movimento serviu como sinal de preocupação diante do aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o território.

As tensões teriam se intensificado ainda mais quando Trump anunciou novas tarifas contra oito países europeus integrantes da Otan que se opõem a seus planos para a Groenlândia, entre eles a Dinamarca. Segundo o relato, o presidente norte-americano estabeleceu um cronograma de punição econômica: uma tarifa de 10% entraria em vigor em 1º de fevereiro, subindo para 25% em junho, e permaneceria até que seja alcançada a “compra completa e total” da Groenlândia, expressão usada por Trump. A medida provocou críticas duras de líderes europeus, que enxergaram a iniciativa como chantagem econômica e escalada agressiva.

Nova Estratégia de Segurança Nacional

O Politico também relaciona o episódio a uma mudança mais ampla na política externa norte-americana. A reportagem menciona uma nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, divulgada em dezembro, que criticou governos europeus por uma suposta perda de confiança cultural e alertou para o que chamou de “apagamento civilizacional”. O documento, segundo o texto, reforça a narrativa de confronto e desconfiança em relação ao continente.

Além disso, a publicação lembra que Trump tem descrito a Europa como “em decadência” e comandada por pessoas “fracas”, adotando uma retórica que acirra o clima político e simbólico entre Washington e as principais capitais europeias. Para os europeus, o conjunto de declarações e ameaças reforça a percepção de que a nova postura dos Estados Unidos pode romper padrões tradicionais de aliança e cooperação, inclusive dentro da própria Otan.

A existência de um canal paralelo de mensagens entre líderes europeus sugere, segundo o relato do Politico, uma tentativa de responder com mais velocidade à imprevisibilidade da Casa Branca. Em temas como soberania territorial, presença militar no Ártico e sanções comerciais, o tempo de reação pode ser decisivo tanto para evitar escaladas quanto para manter unidade política dentro da Europa.

Com a Groenlândia no centro das tensões e o uso de tarifas como instrumento de pressão política, a crise tende a produzir consequências que vão além do episódio específico. O cenário descrito pela reportagem indica que a relação transatlântica pode atravessar um período de turbulência prolongada, com impactos sobre comércio, segurança e coesão diplomática. Em meio a esse quadro, a coordenação rápida entre governos europeus por meio de mensagens diretas se torna não apenas uma ferramenta prática, mas um sinal de que a Europa se prepara para enfrentar uma fase de atritos mais duros com o governo Trump.

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