Primeiro-ministro da Noruega confirma carta infantil de Trump em que ele associa ataque à Groenlândia à perda do Nobel
Jonas Gahr Støre relata mensagem em que o presidente dos EUA liga ressentimento pelo Nobel da Paz à escalada de pressão sobre a ilha ártica
247 – O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta na qual associa o ressentimento por não ter recebido o Nobel da Paz à intensificação de sua ofensiva para avançar sobre a Groenlândia. A revelação foi publicada inicialmente pelo site Politico Europe.
Segundo as informações divulgadas, Trump teria escrito que, após ser preterido na premiação, “não” se sente mais na obrigação de “pensar puramente em paz”, conectando esse argumento à defesa de “interesses” e de “segurança” que, na prática, reforçam sua agenda expansionista no Ártico.
A Groenlândia é um território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca e ocupa posição estratégica no Atlântico Norte e no Ártico, com relevância militar, geopolítica e econômica. De acordo com o relato reproduzido na imprensa europeia, Trump também teria questionado a capacidade dinamarquesa de proteger a região e insinuado que a Otan deveria respaldar os Estados Unidos, sob o argumento de que a ilha seria “essencial” para a segurança global.
O conteúdo ganhou peso adicional porque a carta teria combinado pressão geopolítica e chantagem comercial. Ainda segundo as reportagens, Trump ameaçou impor tarifas a aliados europeus, incluindo Noruega e Dinamarca, começando em 10% e com possibilidade de aumento nos meses seguintes, condicionando o recuo a um entendimento que viabilizasse a tentativa de “compra” da Groenlândia.
A menção ao Nobel da Paz aparece como um elemento simbólico e político que Trump tentaria converter em instrumento de intimidação. Conforme a narrativa publicada, ele teria reiterado o incômodo por não ser premiado e sustentado que mereceria reconhecimento por supostamente ter contribuído para encerrar conflitos recentes, usando essa frustração como pano de fundo para justificar uma postura menos comprometida com a diplomacia.
Do lado norueguês, Støre teria protestado contra a mistura de ameaça tarifária e pressão territorial, defendendo coordenação entre países nórdicos e europeus para conter a crise e evitar que a disputa sobre a Groenlândia se converta em ruptura mais ampla entre aliados.
O episódio expõe um padrão de política externa baseado em coerção econômica e intimidação, em contraste com o discurso tradicional de alianças construídas por consenso. Ao usar o ressentimento pessoal como argumento para endurecer a postura, Trump sinaliza que pretende tratar a geopolítica do Ártico como terreno de barganha e imposição, elevando o risco de instabilidade em uma região que, historicamente, foi administrada com maior cautela diplomática.


