Maduro e esposa desembarcam nos Estados Unidos após serem sequestrados por Trump
Presidente dos Estados Unidos afirmou que irá governar e controlar o petróleo da Venezuela após ato de terrorismo internacional
247 – O presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, levou a um novo patamar a escalada contra a Venezuela ao determinar uma operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que agora desembarcaram em território norte-americano para enfrentar acusações de narcotráfico em Nova York. O episódio, descrito pela imprensa internacional como uma das mais agressivas ações externas do atual mandato, amplia a crise diplomática e abre um período de instabilidade com consequências imprevisíveis para a América Latina.
Segundo reportagem da Reuters, a ofensiva atingiu a capital Caracas e outras regiões do país, resultando na prisão do chefe de Estado venezuelano e na promessa aberta de Trump de assumir, ainda que temporariamente, o controle político do país. Em entrevista coletiva realizada em seu clube em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump afirmou que o objetivo é conduzir uma transição sob tutela de Washington, numa declaração que evidencia o caráter intervencionista e colonial da operação.
“Nós vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, apropriada e judiciosa”, disse Trump.
A fala foi acompanhada por outra justificativa reveladora: Trump afirmou que a intervenção estaria alinhada ao slogan “America First” e à necessidade de assegurar “bons vizinhos”, “estabilidade” e “energia”, em referência direta às vastas reservas de petróleo venezuelanas. A mensagem, na prática, indica que a Casa Branca pretende manter influência direta sobre o setor estratégico do país, o que alimenta acusações de que o ataque foi motivado por interesses econômicos e geopolíticos, e não por defesa da democracia.
A Reuters relata que Trump não esclareceu até onde pretende ir para manter o controle da situação. Em sua coletiva, o presidente norte-americano deixou em aberto a possibilidade de novos ataques, a permanência de tropas no território venezuelano — sugerida pela expressão “boots on the ground” — e envolvimento continuado nos rumos políticos e na indústria do petróleo do país. Maduro, apesar de capturado, teria deixado aliados em posições de poder, o que aumenta o risco de um vácuo institucional e de uma guerra de facções.
Ruptura com o discurso anti-intervencionista
O episódio representa uma ruptura frontal com a retórica que Trump cultivou por anos, quando acusava adversários de “aventuras estrangeiras” e prometia evitar novos conflitos internacionais. A Reuters lembra que, em janeiro do ano passado, ao tomar posse para o segundo mandato, Trump disse que o sucesso de seu governo seria medido “não apenas pelas batalhas que vencemos, mas pelas guerras que encerramos e, talvez mais importante, pelas guerras nas quais nunca entramos”.
Desde então, porém, Trump acumulou uma sequência de ações militares: bombardeios em Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália, além de ataques a embarcações atribuídas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico. A ofensiva contra a Venezuela, no entanto, ultrapassou todas as anteriores por seu grau de agressividade, por atingir diretamente a soberania de um país latino-americano e por envolver a captura do chefe de Estado para julgamento nos Estados Unidos.
Reação interna e disputa política nos EUA
A escalada abre um novo flanco de desgaste interno para Trump às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, quando o controle do Congresso pode ser decidido por poucos distritos. Ainda segundo a Reuters, democratas e setores críticos do próprio Partido Republicano enxergam no episódio um risco de “atoleiro” militar e político, com potencial para gerar rejeição popular e provocar turbulência institucional.
O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que, embora Maduro seja um “ditador ilegítimo”, a ação foi imprudente:
“Que fique claro: Maduro é um ditador ilegítimo, mas lançar uma ação militar sem autorização do Congresso, sem um plano federal para o que vem depois, é irresponsável”, disse Schumer.
O senador republicano Mike Lee, de perfil libertário, chegou a questionar a legalidade da operação por falta de declaração de guerra ou autorização formal para uso da força, mas recuou após conversar com o secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional Marco Rubio, que teria ligado para parlamentares com o objetivo de reduzir resistência no Congresso.
Ainda assim, o debate dentro da direita norte-americana se acirrou. A deputada republicana Marjorie Taylor Greene, uma das figuras mais associadas ao universo MAGA, afirmou que a intervenção rompeu o pacto de “não-intervencionismo” que parte da base acreditava estar votando para manter — e anunciou que renunciará ao mandato.
“Isso é o que muitos no MAGA acharam que votaram para acabar. Como estávamos errados”, escreveu.
Outro republicano crítico de Trump, o deputado Thomas Massie, também contestou a coerência entre a ameaça de novos ataques e a narrativa apresentada por Rubio a parlamentares. Ele ainda ironizou a justificativa legal do governo, observando que, se a ação fosse “constitucionalmente sólida”, o procurador-geral não estaria comemorando nas redes sociais a prisão do presidente de um país soberano com base em uma lei americana de armas de 1934.
Parâmetros históricos e temor de ocupação prolongada
A Reuters observa que, apesar de Trump ter se apresentado como opositor dos “neoconservadores” republicanos do final do século 20, sua ofensiva contra a Venezuela se aproxima de intervenções realizadas por presidentes do mesmo partido em décadas anteriores. O texto recorda que, em 1983, o então presidente Ronald Reagan invadiu Granada sob o argumento de que o governo era ilegítimo. Já em 1989, o presidente George H.W. Bush ordenou a invasão do Panamá para capturar o ditador Manuel Noriega, procurado por narcotráfico — um precedente que se assemelha ao atual episódio envolvendo Maduro.
O ex-enviado para a Venezuela no primeiro governo Trump, Elliott Abrams, afirmou à Reuters que não acredita que Trump esteja assumindo grande risco doméstico, desde que soldados americanos não comecem a morrer. Ainda assim, ele admitiu que não está claro o que significa “governar a Venezuela”, e alertou que o desafio real será garantir uma transição democrática.
“Ele fez a coisa certa ao remover Maduro. A questão é se fará a coisa certa ao apoiar a democracia na Venezuela”, disse Abrams.
Já Brett Bruen, ex-assessor de política externa do governo Barack Obama e atualmente à frente da consultoria Global Situation Room, afirmou que Washington pode ser sugada para um processo longo e complexo:
“Eu não vejo uma versão curta dessa história. Os EUA vão se enredar na Venezuela e ainda terão novos problemas com seus vizinhos”, afirmou.
Popularidade baixa e risco eleitoral
A Reuters também destaca que, antes mesmo do ataque, pesquisas indicavam baixa aceitação popular para uma operação militar com o objetivo de derrubar Maduro. Em levantamento Reuters/Ipsos realizado em novembro, apenas cerca de um em cada cinco norte-americanos apoiava o uso da força para depor o presidente venezuelano — um dado que sugere que, além do impacto internacional, Trump pode enfrentar resistência do eleitorado em um momento em que parte da população espera respostas para temas internos como custo de vida, saúde e economia.
Ao anunciar que pretende governar o país e manter controle sobre a estabilidade regional e as reservas de energia, Trump coloca os Estados Unidos no centro de uma crise geopolítica que envolve soberania, disputa por petróleo e risco de ocupação prolongada — uma combinação que pode redefinir tanto a política externa americana quanto o futuro imediato da Venezuela e de toda a região.



