'Não fecharemos o Estreito de Ormuz, mas é nosso direito preservar a segurança nessa hidrovia', afirma o Irã
O diplomata Amir Saeid Iravani defendeu a soberania iraniana e criticou os EUA por "ações desestabilizadoras"
247 - O embaixador do Irã junto à Organização das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou nesta quinta-feira que Teerã não pretende bloquear o Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o escoamento do petróleo mundial. A declaração foi feita a jornalistas na sede da ONU foi diferente do posicionamento adotado pelo novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que horas antes havia defendido que a "alavanca de bloqueio do Estreito de Ormuz deve continuar a ser usada".
"Não vamos fechar o Estreito de Ormuz", disse o embaixador. "Mas é nosso direito inerente preservar a paz e a segurança nessa hidrovia", afirmou Iravani. Ao mesmo tempo em que descartou o fechamento da rota, Iravani deixou claro que o Irã não abrirá mão de sua soberania sobre a hidrovia.
Em uma declaração preparada e lida antes de responder às perguntas dos repórteres, Iravani reafirmou o alinhamento formal de Teerã ao direito internacional marítimo. Segundo ele, "o Irã respeita totalmente e continua comprometido com o princípio da liberdade de navegação sob a lei do mar".
Mas o diplomata foi enfático ao atribuir a instabilidade na região à iniciativa americana. "A situação atual na região, inclusive no Estreito de Ormuz, não é o resultado do exercício legal do direito de autodefesa do Irã. Pelo contrário, é a consequência direta das ações desestabilizadoras dos Estados Unidos ao lançar a agressão contra o Irã e minar a segurança regional", afirmou.
Questionado sobre a declaração do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que disse à Sky News que a Marinha americana — possivelmente acompanhada de uma coalizão internacional — escoltará embarcações pelo Estreito de Ormuz assim que as condições militares permitirem, Iravani afirmou não ter resposta a dar sobre o comentário.
Contexto
O pano de fundo da tensão diplomática é o conflito armado que eclodiu em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos deram início à sua ofensiva militar contra o Irã. Desde então, mais de 1,3 mil pessoas perderam a vida em solo iraniano. Quando somadas as vítimas de outros países arrastados para o conflito, o total de mortos se aproxima de 2 mil. Washington justificou a intervenção com a alegação de que Teerã avançava no desenvolvimento de armamento nuclear, mas a ONU não encontrou evidências das acusações feitas pelo presidente estadunidense.
De todas as respostas iranianas ao conflito, o bloqueio do Estreito de Ormuz foi a que mais abalou a economia global. Encravado entre o litoral do Irã e o território de Omã, o canal conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e responde pelo transporte de aproximadamente um quinto de todo o petróleo negociado no mundo. Com a passagem interditada, grandes produtores da Opep — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — viram suas exportações represadas, perdendo acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, Europa e Américas.
O alto comando das Forças Armadas iranianas havia sido categórico ao anunciar que não permitirá "que nem um único litro de petróleo passe pelo Estreito de Ormuz em benefício da América e de seus aliados" — declaração que contrasta diretamente com a postura mais moderada adotada pelo embaixador Iravani na ONU, sinalizando uma possível divisão de narrativas dentro do próprio governo iraniano sobre o uso do estreito como instrumento de pressão geopolítica.
Petróleo
O petróleo disparou cerca de 9% nesta quinta-feira (12) e alcançou o patamar mais elevado em quase quatro anos, impulsionado pela intensificação dos ataques iranianos a infraestruturas de petróleo e transporte em todo o Oriente Médio e pela promessa do líder supremo do país de manter o Estreito de Ormuz bloqueado.
O contrato futuro do Brent encerrou o pregão a US$ 100,46 por barril, avanço de US$ 8,48, equivalente a 9,2%, após bater a máxima de US$ 101,60 durante a sessão. O WTI americano fechou a US$ 95,70, também com alta de US$ 8,48, correspondente a 9,7%. Os dois contratos registraram seu maior valor de fechamento desde agosto de 2022.


