Netanyahu assassina mais libaneses para tentar sabotar a paz no Oriente Médio
Ataques israelenses matam ao menos 20 pessoas no Líbano e expõem o premiê israelense como o maior inimigo da paz mundial
247 – O governo de Benjamin Netanyahu voltou a transformar a promessa de cessar-fogo em sangue e destruição. Ataques israelenses no Líbano mataram ao menos 20 pessoas neste sábado, segundo a agência estatal libanesa NNA, apenas um dia depois da entrada em vigor de uma trégua com o Hezbollah, destinada a conter meses de escalada militar no Oriente Médio.
As informações são da Reuters. Segundo a agência, Israel afirmou que os bombardeios foram uma resposta a projéteis lançados durante a noite pelo Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Um oficial militar israelense disse que o Hezbollah disparou mais de 50 projéteis contra forças israelenses no sul do Líbano, o que teria levado Israel a atacar alvos descritos por Tel Aviv como posições do grupo libanês.
A nova ofensiva, no entanto, amplia a percepção de que Netanyahu atua como sabotador sistemático de qualquer tentativa de paz. Em vez de consolidar a trégua, o premiê israelense aprofunda a guerra, mantém tropas em território libanês e transforma o cessar-fogo em mais uma peça de propaganda para justificar novos bombardeios.
Bombardeios atingem o sul do Líbano e o Vale do Bekaa
A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que aviões de guerra e drones israelenses atingiram vários pontos no sul do país e no Vale do Bekaa. O Hezbollah acusou Israel de cometer centenas de violações do cessar-fogo e advertiu que os ataques contínuos “não passarão sem resposta”. O grupo também pediu que Washington pressione Israel a interromper suas agressões.
A sequência de ataques, poucas horas depois do início da trégua, coloca em dúvida a disposição real do governo Netanyahu de aceitar qualquer solução diplomática. Ao insistir no uso da força, Israel aprofunda a instabilidade regional e ameaça inclusive um entendimento mais amplo anunciado nesta semana entre Estados Unidos e Irã, que depende, em parte, do fim das hostilidades no Líbano.
A lógica de Netanyahu é a da guerra permanente. Para sobreviver politicamente, o premiê israelense insiste em ampliar frentes de conflito, manter ocupações e impedir que qualquer iniciativa de negociação produza efeitos concretos. O resultado é mais morte, mais destruição e mais sofrimento para civis libaneses.
Israel fala em defesa enquanto ocupa território libanês
Um oficial militar israelense afirmou que as Forças Armadas receberam novas diretrizes da liderança política para cessar fogo e que não estariam conduzindo ataques proativos, mas operando de forma defensiva dentro do que Israel chama de zona de segurança.
A justificativa contrasta com a realidade da ocupação. O Exército israelense mantém presença em partes do sul do Líbano e, ao mesmo tempo, acusa o Hezbollah de violações repetidas do acordo de cessar-fogo. Segundo o mesmo oficial, cinco soldados israelenses foram mortos pelo Hezbollah no sul libanês nas últimas 48 horas.
Israel afirmou ainda que continua comprometido com a trégua, de acordo com diretrizes políticas, mas que responderá de forma decisiva a qualquer ataque contra civis ou tropas israelenses. Na prática, porém, o governo Netanyahu usa a retórica da segurança para preservar uma política de ocupação, agressão e punição coletiva.
O contraste é brutal: enquanto Tel Aviv fala em compromisso com o cessar-fogo, prédios são destruídos, civis são mortos e o território libanês segue sob ameaça militar. A paz, sob Netanyahu, torna-se apenas uma palavra vazia, subordinada à estratégia de força de um governo que se alimenta da guerra.
Hezbollah acusa Israel de tentar expandir a ocupação
O Hezbollah afirmou que também segue comprometido com o cessar-fogo, mas declarou que responderá a qualquer tentativa de Israel de “tomar território ou expandir sua ocupação”. O grupo disse que forças israelenses tentaram se infiltrar durante a noite na região da colina de Ali al-Taher, no sul do Líbano.
Segundo o Hezbollah, seus combatentes enfrentaram as tropas israelenses, após o que Israel realizou ataques aéreos tanto dentro quanto fora de sua zona operacional declarada.
Um alto funcionário do Hezbollah afirmou que o grupo não permitirá a Israel “liberdade de movimento” em território libanês ocupado. Ele acrescentou que a resistência armada continua legítima enquanto forças israelenses permanecerem no Líbano.
A declaração reforça o impasse central: enquanto Israel mantiver tropas em áreas libanesas e tentar impor pela força sua presença no país vizinho, o cessar-fogo será permanentemente ameaçado. Netanyahu, ao se recusar a abrir mão da lógica da ocupação, empurra a região para uma nova espiral de violência.
Família é morta em ataque contra prédio residencial
Um dos ataques israelenses mais letais atingiu um prédio residencial de três andares na cidade de Barish, no distrito de Tiro, no sul do Líbano. Segundo uma autoridade local, morreram um pai, uma mãe e seus dois filhos.
O Exército libanês informou que outro ataque israelense matou um soldado na estrada Kfarrumman-Nabatieh. A NNA também relatou que um bombardeio israelense destruiu a agência de Nabatieh do Banco Central do Líbano. O Banco Central libanês afirmou que o prédio foi diretamente atingido, causando danos materiais, mas sem vítimas.
A escolha de alvos em áreas urbanas e a destruição de estruturas civis ampliam as acusações contra Netanyahu. Seu governo apresenta os ataques como operações militares, mas os mortos incluem famílias, crianças e trabalhadores, vítimas de uma ofensiva que transforma a população libanesa em refém da máquina de guerra israelense.
A porta-voz militar de Israel em língua árabe afirmou que a calma poderia ser alcançada se o Hezbollah interrompesse o que ela descreveu como atividade hostil e violações de acordos existentes. Segundo ela, a presença israelense em uma zona de segurança teria como objetivo remover ameaças e desmantelar a infraestrutura do Hezbollah, não atingir civis.
A versão israelense, porém, é desmentida pelos números e pelos escombros. A cada novo ataque, Netanyahu se distancia ainda mais de qualquer compromisso real com a paz e confirma seu papel como fator central de desestabilização do Oriente Médio.
População volta a viver sob explosões
A Reuters ouviu Ofri Valfer, moradora do norte de Israel, que relatou a continuidade dos ataques mesmo após o anúncio do cessar-fogo. “Durante toda a noite ouvimos explosões. Ficamos um pouco animados com aquelas declarações sobre um cessar-fogo, mas tudo continua como sempre”, disse ela.
“Dá para ouvir explosões muito fortes aqui, e a vida continua ao lado disso. Espero que venham dias melhores”, acrescentou.
O relato mostra que nem mesmo a população israelense vive segurança sob a política de Netanyahu. A insistência do premiê em apostar na guerra como método permanente mantém toda a região em estado de tensão, medo e instabilidade.
Mais de 4 mil mortos desde março, segundo o Líbano
O Ministério da Saúde do Líbano afirma que 4.057 pessoas foram mortas em ataques israelenses desde 2 de março, incluindo médicos, mulheres e crianças. O órgão não especifica quantos dos mortos eram combatentes.
As autoridades israelenses dizem que ao menos 32 soldados e quatro civis foram mortos nos combates com o Hezbollah.
O entendimento anunciado nesta semana entre Estados Unidos e Irã prevê uma interrupção imediata e permanente das operações militares das partes e de seus aliados em várias frentes, incluindo o Líbano. Israel, que não participou dessas negociações, se opôs a dispositivos que, segundo Tel Aviv, poderiam restringir sua campanha militar no país vizinho.
A postura confirma o papel destrutivo de Netanyahu. Em um momento em que a diplomacia tenta abrir uma brecha para conter a guerra, o premiê israelense responde com bombardeios, mortes e ocupação. Ao assassinar mais libaneses poucas horas após a trégua, Netanyahu não apenas desafia o cessar-fogo: ele tenta sabotar a paz no Oriente Médio e se consolida como o maior inimigo da paz mundial.



