Netanyahu confirma candidatura à reeleição em Israel
Posicionamento ocorre após Donald Trump, dos Estados Unidos, levantar dúvidas sobre a intenção do premiê de disputar a reeleição
247 - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou que pretende disputar a reeleição ainda este ano, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter levantado dúvidas sobre sua permanência na corrida eleitoral. A posição foi divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Likud, partido de Netanyahu, em meio a incertezas sobre o calendário político israelense, relata a Folha de São Paulo.
A eleição ainda não foi oficialmente convocada, mas deve ocorrer até outubro. O partido de Netanyahu divulgou uma declaração breve para afirmar que o premiê será candidato, após uma publicação do jornalista Jonathan Karl, correspondente-chefe da ABC News em Washington, nas redes sociais.
Karl afirmou que Trump lhe disse não saber se Netanyahu tentaria mais um mandato. Ao relatar a conversa, o jornalista reproduziu a declaração atribuída ao presidente dos Estados Unidos: “Não sei, ele teve uma carreira incrível. Será que ele quer continuar?”.
O pleito israelense será o primeiro desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, episódio considerado a pior falha de segurança da história recente de Israel. A ofensiva desencadeou o genocídio palestino cometido por Israel na Faixa de Gaza, que deixou mais de 70 mil mortos.
Netanyahu voltou ao poder em dezembro de 2022 à frente da coalizão mais à direita da história de Israel. Desde então, enfrentou um período de forte instabilidade política, marcado por protestos contra seu governo e por guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.
Pesquisas de opinião têm apontado dificuldades para a atual coalizão governista alcançar maioria parlamentar em uma nova eleição. Levantamento publicado em 9 de junho pelo Instituto de Democracia de Israel, sediado em Jerusalém, indicou que 61% do público israelense considera que Netanyahu não deveria concorrer novamente.
Apesar do desgaste do premiê, os levantamentos também mostram que uma eventual coalizão de oposição poderia não chegar à maioria no Parlamento sem uma aliança com partidos árabes. Parte dos líderes oposicionistas, porém, já descartou essa possibilidade.
A relação entre Trump e Netanyahu segue próxima, segundo autoridades americanas e israelenses citadas no texto original, embora tenha atravessado momentos de tensão nas últimas semanas. Os dois líderes iniciaram juntos a guerra contra o Irã em fevereiro, mas divergências recentes vieram à tona quando Trump exigiu que Israel reduzisse sua ação militar no Líbano enquanto Washington negocia um acordo de paz com Teerã.
Na semana passada, Trump admitiu ter chamado Netanyahu de “maluco de merda” durante um telefonema exaltado. Apesar disso, o presidente dos Estados Unidos também afirmou que mantém boa relação com o premiê israelense.
Trump tem defendido repetidamente que o presidente de Israel conceda perdão a Netanyahu em relação às acusações de corrupção que ainda pesam contra o primeiro-ministro. Netanyahu nega as acusações.



