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Netanyahu forçou EUA a entrarem na guerra após sucesso das negociações

Professor Mehran Kamrava afirma à Al Jazeera que Israel lançou ataque para sabotar diálogo entre Irã e Estados Unidos e “forçou a mão” de Donald Trump

Trump e Netanyahu em Tel Aviv - 13/10/2025 (Foto: Reuters)

247 – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, teria forçado os Estados Unidos a entrarem na guerra contra o Irã após avanços nas negociações diplomáticas entre Teerã e Washington. A avaliação é do professor Mehran Kamrava, diretor da unidade de estudos iranianos do Arab Centre for Research and Policy Studies e docente da Universidade de Georgetown, no Catar, em entrevista à Al Jazeera.

Segundo a reportagem da Al Jazeera, Kamrava afirmou que, embora não acreditasse inicialmente que os EUA atacariam o Irã, Israel vinha sendo “bastante vocal” sobre sua intenção de minar as negociações entre os dois países. “Como fez em junho passado, parece ter lançado um ataque destinado a descarrilar as negociações entre o Irã e os EUA”, declarou o professor.

Ataque para sabotar negociações

Na análise de Kamrava, a ofensiva israelense teria sido calculada para interromper o processo diplomático em curso. O especialista relembrou que movimento semelhante teria ocorrido em junho do ano passado, também com o objetivo de inviabilizar entendimentos entre Teerã e Washington.

Ao afirmar que o ataque foi “destinado a descarrilar as negociações”, Kamrava sustenta que a ação militar não ocorreu de forma isolada, mas dentro de uma lógica estratégica voltada a impedir qualquer consolidação de acordo entre o Irã e os Estados Unidos.

As declarações ganham relevância no contexto de relatos anteriores sobre avanços nas tratativas nucleares, em meio a um cenário de intensa tensão regional.

“Forçaram a mão” de Donald Trump

Kamrava também avaliou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acabou sendo pressionado politicamente pela dinâmica criada por Israel. “Acho que o presidente dos EUA, Donald Trump, se colocou em um canto do qual não podia recuar. A chamada armada, o maciço reforço militar, os constantes sinais verdes dados a Israel ao longo do último ano e meio — e, assim, penso que, de muitas maneiras, mais uma vez, o que vemos é que os israelenses forçaram a mão de Donald Trump e ele realmente não podia dizer não a eles neste momento”, afirmou.

Na leitura do professor, o acúmulo de apoio político e militar a Israel teria criado um cenário em que qualquer recuo poderia ser interpretado como fragilidade estratégica. A expressão “forçaram a mão” indica, segundo sua análise, que Washington teria sido levado a agir em um contexto de pressão e alinhamento prévio.

Implicações geopolíticas

As declarações à Al Jazeera apontam para uma leitura crítica da entrada dos Estados Unidos no conflito, sugerindo que a escalada militar ocorreu em meio a um processo diplomático que poderia ter produzido resultados.

Se confirmada a interpretação de Kamrava, o episódio reforça o papel central de Israel na dinâmica regional e levanta questionamentos sobre o impacto das ações militares no futuro das negociações nucleares.

Até o momento, as afirmações refletem a avaliação do especialista ouvida pela Al Jazeera, sem detalhamento adicional sobre decisões internas nos governos envolvidos. Ainda assim, a análise contribui para o debate internacional sobre as causas da escalada e sobre o papel desempenhado por Washington e Tel Aviv no atual cenário de tensão no Oriente Médio.

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