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ONU denuncia medidas de Israel que aceleram expulsão de palestinos e aprofundam anexação ilegal na Cisjordânia

Alto comissário alerta que decisões vão "acelerar a perda de terras pelos palestinos" e ampliar colônias na região

Prédios em ruínas durante operação militar israelense em Jenin, na Cisjordânia ocupada por Israel - 03/02/2025 (Foto: REUTERS/Raneen Sawafta)

247 - A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que medidas adotadas por Israel para ampliar o controle sobre a Cisjordânia ocupada podem acelerar a perda de terras e a expulsão da população palestina. As agressões israelenses, parte do genocídio praticado contra o povo palestino, abrem caminho para nova expansão de colônias, representando avanço no processo de anexação considerado ilegal pelo organismo internacional. Segundo a RFI, a avaliação foi divulgada nesta quarta-feira (11) pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Analistas avaliam que as decisões podem acelerar a anexação do território ocupado, facilitar a compra de terras por colonos israelenses e expulsar a população palestina para áreas urbanas isoladas. Volker Türk afirmou: "Se essas decisões forem implementadas, elas sem dúvida irão acelerar a perda de terras pelos palestinos e seu deslocamento forçado, além de levar à criação de novas colônias israelenses ilegais".

Ainda segundo o comunicado, a ONU declarou: "É mais um passo das autoridades israelenses para tornar impossível a existência de um Estado palestino viável, em violação ao direito do povo palestino à autodeterminação".

Revogação de lei facilita "compra" de terras

Entre as medidas citadas está a revogação de uma lei que existia há décadas e que proibia judeus de comprar diretamente terras na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967. Com a mudança, colonos israelenses passam a ter mais facilidade para adquirir propriedades na região. As decisões também ampliam o controle israelense em áreas da Cisjordânia onde a Autoridade Palestina, com sede em Ramallah, exerce administração.

Türk afirmou ainda: "Isso privará ainda mais os palestinos de seus recursos naturais e restringirá o acesso a outros direitos". Em outro trecho, acrescentou: "Isso vai cimentar o controle de Israel e integrar ainda mais a Cisjordânia a Israel, consolidando anexações ilegais".

As medidas também permitem que Israel ocupe dois locais religiosos importantes no sul da Cisjordânia. Entre eles estão o Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, considerado sagrado para as três religiões monoteístas, e o Túmulo de Raquel, em Belém.

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