"Os EUA envolveram os países do Golfo com suas ações agressivas", diz representante da Rússia na ONU
EUA e Israel atacam Irã usando bases em países do Golfo, afirmou Vassily Nebenzia durante reunião do Conselho de Segurança
247 - O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vassily Nebenzia, afirmou nesta quarta-feira (11) que os Estados Unidos, ao realizar agressões contra o Irã, "comprometeram" a segurança dos países do Golfo, deixando-os vulneráveis a retaliações. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Segurança, segundo informações da RT Brasil.
"Os Estados Unidos envolveram os países do Golfo em suas ações agressivas. Os estadunidenses ignoraram repetidos pedidos para não usar os territórios dos países árabes para lançar operações militares contra o Irã", observou Nebenzia. O diplomata ressaltou que, conforme o próprio Comando Central dos EUA, os ataques ocorreram "não apenas por mar e ar, mas também por terra". Ele completou dizendo que "é evidente que só poderia ter sido o território de países vizinhos ao Irã".
Nebenzia citou especificamente o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein como "a principal força de ataque contra o país persa" e a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, apontada como "o principal ponto de manutenção de aeronaves dos EUA na região". O diplomata destacou ainda que o uso de bases nos territórios do Catar, Kuwait, Jordânia e Iraque fornece ao Irã uma justificativa para suas ações retaliatórias.
Abstenção na votação e críticas ao texto
A Rússia decidiu se abster na votação de uma resolução do Conselho de Segurança que condenava o Irã, classificando o texto como "tendencioso" e que "confunde a relação de causa e efeito". Nebenzia afirmou que "é impossível e injusto falar de ataques contra países da região sem levar em conta as causas profundas da escalada atual, ou seja, a agressão dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica do Irã". Ele também classificou como "inaceitáveis" ataques a territórios e infraestruturas civis dos países do Golfo.
Israel e os Estados Unidos conduziram, na madrugada de 28 de fevereiro, uma agressão conjunta com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" representadas pelo Irã. A ofensiva resultou no assassinato do aiatolá Ali Khamenei e de vários oficiais militares de alta patente. Em resposta, Teerã lançou múltiplas ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e contra bases americanas em países do Oriente Médio.


