Paquistão envia proposta dos EUA ao Irã para possíveis negociações sobre o conflito, diz Reuters
Turquia também teria participado do envio de mensagens entre as partes em meio à guerra iniciada pelas agressões estadunidenses e de Israel ao país persa
247 - O governo do Irã recebeu uma proposta dos Estados Unidos encaminhada pelo Paquistão para possíveis negociações sobre o conflito no Golfo, segundo informou uma autoridade iraniana, que falou sob condição de anonimato, à agência Reuters nesta quarta-feira (25). O país persa mantém publicamente a posição de que não há tratativas em andamento. A Turquia também teria participado do envio de mensagens entre as partes e surge como alternativa para sediar eventuais conversas.
Outra fonte ouvida afirmou que o plano teria sido enviado ao Irã, enquanto integrantes do governo de Israel relataram que o conteúdo incluiria a retirada de estoques de urânio enriquecido, a interrupção do enriquecimento nuclear, restrições ao programa de mísseis balísticos e o fim do apoio a aliados regionais. Enquanto sinais de mediação surgem, o Pentágono planeja enviar milhares de soldados aerotransportados ao Golfo, ampliando a presença militar dos Estados Unidos na região. A medida se soma ao deslocamento de unidades de fuzileiros navais já em curso.
Posição do Irã
Autoridades iranianas rejeitaram a possibilidade de negociação com o governo de Donald Trump. Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari criticou as declarações do presidente estadunidense e afirmou: “não faremos um acordo com você. Nem agora. Nem nunca”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Beghaei, também negou qualquer diálogo. “Não há negociações entre Irã e Estados Unidos”, disse, ao comentar que conversas nucleares anteriores foram interrompidas após agressões militares, classificadas por ele como uma “traição à diplomacia”.
Escalada do conflito
Os confrontos seguem sem interrupção, com ataques aéreos contra o território iraniano e lançamentos de mísseis e drones contra Israel e aliados dos Estados Unidos. Segundo autoridades militares israelenses, não houve mudança relevante nas operações em curso.
Relatos indicam novos bombardeios contra estruturas ligadas à construção naval no Irã, além de impactos em áreas residenciais de Teerã. Kuwait e Arábia Saudita informaram ter interceptado drones, enquanto um ataque atingiu um tanque de combustível no aeroporto internacional do Kuwait, sem registro de vítimas.
As forças iranianas também anunciaram novos ataques retaliatórios contra alvos em Israel e bases militares dos Estados Unidos em países da região. Desde fevereiro, quando teve início uma agressão militar dos EUA, o Irã intensificou, em resposta, ações contra locais que abrigam forças estadunidenses e restringiu o tráfego no Estreito de Hormuz.


