Para 51% dos europeus, Trump é "inimigo" do continente, aponta pesquisa
Levantamento ainda mostra que o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos foi considerado “ilegal” por 63% da Europa
247 - Uma pesquisa de opinião realizada em sete países da União Europeia aponta que mais europeus classificam Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, como um inimigo do continente do que como um aliado. O levantamento revela um clima de desconfiança em relação a Washington e sinaliza mudanças na percepção pública sobre o papel dos EUA na segurança europeia.
O estudo foi publicado nesta sexta-feira (23) pela revista francesa de geopolítica Le Grand Continent e ouviu mil pessoas em cada um dos países analisados — França, Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha, Dinamarca e Polônia — entre os dias 13 e 19 de janeiro. Segundo os dados, 51% dos entrevistados consideram Trump um “inimigo da Europa”, enquanto apenas 8% o veem como um “amigo”. A tendência aparece em seis dos sete países pesquisados.
A Polônia é a principal exceção do levantamento. No país, que faz fronteira com a Rússia e tradicionalmente enxerga os Estados Unidos como um fiador de sua segurança, apenas 28% dos entrevistados classificam o presidente norte-americano como inimigo. Já 48% o definem como indiferente, nem aliado nem adversário, percentual acima da média geral de 39% registrada no conjunto dos países analisados.
Na outra ponta, a Dinamarca aparece como um dos países mais críticos ao presidente dos Estados Unidos. Ali, 58% dos entrevistados afirmam ver Trump como inimigo da Europa, índice igual ao da Espanha e superior ao registrado na Bélgica (56%), França (55%), Alemanha (53%) e Itália (52%). O levantamento foi realizado após declarações de Trump manifestando o desejo de anexar a Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa.
A pesquisa também avaliou a percepção dos europeus sobre a operação militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Para 63% dos entrevistados, a ação foi considerada “ilegal”, por violar a soberania nacional e o direito internacional. Outros 25% classificaram a operação como “legítima”.
O cenário internacional tenso se reflete ainda na visão sobre o futuro da segurança do bloco europeu. De acordo com o levantamento, 73% dos entrevistados defendem que a União Europeia deve ser capaz de garantir sua própria defesa sem depender do apoio dos Estados Unidos. Apenas 22% acreditam que ainda será possível contar com uma intervenção militar norte-americana em caso de necessidade.
Apesar de os Estados Unidos serem a maior potência militar do mundo e o principal membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a pesquisa expõe um sentimento crescente de que a Europa precisa reduzir sua dependência estratégica de Washington. Ao longo de décadas, muitos países europeus diminuíram seus investimentos em defesa, movimento que agora volta ao centro do debate diante das mudanças no cenário geopolítico e das posições adotadas pelo atual presidente dos Estados Unidos.


