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Para 58% dos americanos, primeiro ano do governo Trump é um fracasso

Pesquisa aponta reprovação majoritária à segunda gestão do presidente dos EUA, com críticas à economia, prioridades políticas e uso do poder presidencial

O presidente dos EUA, Donald Trump - 03/12/2025 (Foto: REUTERS/Brian Snyder)

247 - A maioria dos norte-americanos avalia de forma negativa o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Um novo levantamento mostra que cresce a percepção de que o chefe da Casa Branca tem adotado prioridades equivocadas e falhado em responder às principais angústias da população, especialmente no campo econômico e no combate ao alto custo de vida.

Segundo pesquisa divulgada pela CNN, em parceria com o instituto SSRS, 58% dos entrevistados classificam o primeiro ano do atual governo Trump como um fracasso. O resultado evidencia um ambiente político adverso para o presidente e para o Partido Republicano em um momento sensível do calendário eleitoral, marcado pela proximidade das eleições de meio de mandato para a Câmara e o Senado.

A economia desponta como a principal preocupação nacional. Questionados sobre o tema mais importante para o país, os americanos apontam a situação econômica com quase o dobro de menções em relação a qualquer outro assunto. Ainda assim, o levantamento indica que Donald Trump enfrenta dificuldades para convencer o eleitorado de que está lidando de forma eficaz com esse desafio central.

A avaliação sobre as condições econômicas atuais permanece estável, porém amplamente negativa: apenas cerca de três em cada dez entrevistados consideram a economia positiva. O dado mais preocupante para o governo, no entanto, está na mudança de expectativas. Pouco mais de 40% acreditam que a economia estará em boa situação daqui a um ano, uma queda expressiva em comparação aos 56% registrados pouco antes da posse de Trump, em janeiro do ano passado.

Para 55% dos entrevistados, as políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos contribuíram para piorar o cenário econômico do país. Apenas 32% avaliam que houve melhora. Além disso, 64% afirmam que Trump não fez o suficiente para conter a alta dos preços de produtos essenciais. A crítica atravessa linhas partidárias e atinge até o eleitorado republicano: cerca de metade dos eleitores do partido considera que o presidente deveria agir com mais intensidade nessa área, incluindo 42% dos que se identificam com o movimento “Make America Great Again”.

A pesquisa também revela um desgaste na percepção sobre as intenções e motivações do presidente. Apenas 36% dos americanos afirmam que Trump tem as prioridades corretas, índice inferior aos 45% registrados no início do mandato. Somente um terço acredita que ele se preocupa com pessoas comuns, o pior resultado de sua carreira política nesse quesito.

Outros indicadores reforçam esse distanciamento. Apenas 37% dizem que Trump coloca o interesse do país acima de ganhos pessoais, e 32% consideram que ele compreende os problemas enfrentados pela população no dia a dia. Essa avaliação negativa aparece inclusive entre eleitores que aprovam, em termos gerais, sua atuação no governo. Um dos participantes da pesquisa, um eleitor independente de Oklahoma, afirmou: “Mesmo que ele esteja fazendo algo de bom em algumas áreas, ele parece muito voltado para si mesmo e demonstra falta de cuidado com o bem comum dos nossos cidadãos".

A imagem pessoal do presidente dos Estados Unidos também sofre desgaste. Menos da metade dos entrevistados considera que Trump tem energia e lucidez suficientes para exercer o cargo de forma eficaz, e apenas 35% dizem sentir orgulho de tê-lo como presidente. Sua taxa geral de aprovação está atualmente em 39%, depois de cair de forma acentuada nos primeiros cem dias do segundo mandato e se manter desde então em níveis baixos.

Apesar do cenário negativo no conjunto da sociedade, Trump preserva apoio sólido dentro de sua base. Quase nove em cada dez republicanos aprovam seu desempenho, e cerca de metade o faz de maneira enfática. Entre eleitores ligados ao movimento MAGA, o respaldo é quase total. Um republicano do Tennessee que participou do levantamento declarou: “Ele não é perfeito, mas está realmente obtendo resultados no que está fazendo".

Entre independentes e grupos tradicionalmente mais próximos dos democratas, o cenário é oposto. A aprovação entre eleitores sem filiação partidária está em apenas 29%, enquanto Trump praticamente não conta com apoio entre democratas. Apenas 30% dos latinos e dos adultos com menos de 35 anos aprovam sua gestão, uma queda relevante em relação ao início do mandato.

Durante seu primeiro governo, Trump costumava registrar índices de aprovação mais elevados especificamente na condução da economia. No começo do segundo mandato, a imigração apareceu como um ponto relativamente favorável e segue sendo um dos principais fatores de apoio entre seus eleitores. Ainda assim, entre o público em geral, o presidente não apresenta hoje um tema que se destaque positivamente. Em todas as áreas testadas pela pesquisa — economia, imigração, política externa, administração federal e saúde — seus índices permanecem próximos da taxa geral de aprovação, em torno de 39%.

O levantamento também aponta preocupação crescente com a democracia norte-americana, que aparece como o segundo tema mais citado no país e lidera as razões de desaprovação entre eleitores democratas. Cerca de um quarto dos que desaprovam o presidente afirma fazê-lo por considerar que ele faz uso excessivo ou inadequado do poder presidencial.

Para 58% dos entrevistados, Donald Trump foi longe demais no uso da autoridade do Executivo, percentual superior aos 52% registrados no início do mandato. A maioria também avalia que ele extrapolou ao tentar interferir em instituições culturais e ao promover cortes em programas federais, além de mudanças no funcionamento do governo dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, diminuiu o número de americanos que acreditam que o segundo mandato de Trump provocará transformações duradouras no país. Embora a maioria ainda espere mudanças significativas, cresce a percepção de que parte dessas alterações pode perder força com o tempo.

A pesquisa da CNN foi realizada pelo instituto SSRS entre os dias 9 e 12 de janeiro, por meio de entrevistas online e por telefone, com uma amostra nacional aleatória de 1.209 adultos. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.

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