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Parlamentares do Partido Democrata afirmam que não havia ameaça iminente aos EUA e acusam governo de agir em favor de Israel

Justificativa de Trump para atacar o Irã é contestada no Congresso dos Estados Unidos

Prédio do Congresso dos EUA em Washington 18/11/2025 (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

247 - Parlamentares do Partido Democrata no Congresso dos Estados Unidos questionaram a justificativa apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para autorizar ataques contra o Irã.

Segundo os congressistas, a alegação de que Teerã representava uma ameaça direta e iminente a Washington não encontra respaldo nas informações repassadas em reuniões oficiais, informa a Al jazeera. 

De acordo com relatos feitos após uma sessão informativa com autoridades do governo, membros democratas sustentam que qualquer risco concreto estava direcionado a Israel, e não ao território ou às forças norte-americanas. As declarações reforçam o embate político interno em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

O senador Mark Warner, da Virgínia, que atua como vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, afirmou a jornalistas que “não havia ameaça iminente aos Estados Unidos da América por parte dos iranianos”. Ele reconheceu que existia risco para Israel, mas fez um alerta sobre as implicações dessa interpretação. “Havia uma ameaça a Israel. Se equipararmos uma ameaça a Israel ao equivalente de uma ameaça iminente aos Estados Unidos, então estamos em território desconhecido”, declarou.

Na Câmara dos Representantes, o deputado Joaquin Castro, do Texas, também criticou a posição do governo. Ele contestou declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, segundo as quais “estava abundantemente claro que, se o Irã fosse atacado pelos Estados Unidos, por Israel ou por qualquer outro, eles responderiam contra os Estados Unidos”.

Para Castro, essa avaliação revela que a decisão de Israel de atacar o Irã teria exposto militares norte-americanos a riscos diretos. “As declarações do secretário Rubio indicam que Israel colocou as forças dos EUA em perigo ao insistir em atacar o Irã”, afirmou o congressista. “E o governo foi cúmplice – juntando-se à guerra deles em vez de dissuadi-los.”

O deputado também direcionou críticas ao presidente dos Estados Unidos. “Isso é inaceitável por parte do presidente, e inaceitável por parte de um país que se autodenomina nosso aliado”, declarou.

As manifestações ampliam a divisão política em Washington sobre o envolvimento dos Estados Unidos no conflito com o Irã e sobre os critérios adotados para justificar a ação militar. O debate ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e às consequências diplomáticas e estratégicas da decisão de intervir ao lado de Israel.

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