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Sachs diz que Estados Unidos são governados pelo "louco assassino" Netanyahu

Economsita afirma ainda que a subordinação a Israel explica a decadência econômica do país

Jeffrey Sachs (Foto: Reprodução Youtube)

247 – O economista Jeffrey Sachs afirmou que os Estados Unidos estariam sendo conduzidos por decisões associadas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem classificou como um “madman” — expressão em inglês que pode ser traduzida como “louco” — ao comentar a escalada militar envolvendo Irã, Israel e o governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita em entrevista ao programa Judging Freedom, apresentado por Judge Andrew Napolitano e publicado no YouTube em 2 de março de 2026.

Ao analisar o que chamou de invasão israelense e americana ao Irã, Sachs sustentou que o conflito atual integra um projeto geopolítico de longo prazo. Segundo ele, Netanyahu teria reconhecido que a ofensiva representaria um objetivo perseguido há décadas. “Ele diz que isso é ‘meu sonho realizado’ por 40 anos”, afirmou Sachs, acrescentando que se trata de uma estratégia que, em sua visão, envolve a hegemonia militar de Israel no Oriente Médio com apoio direto dos Estados Unidos.

Projeto de décadas e guerras em série

Sachs afirmou que a política externa americana no Oriente Médio segue uma linha contínua desde os anos 1990. “Isso é loucura. Isso é delírio assassino. E é isso que está em andamento agora”, declarou, ao associar as guerras na região — incluindo Iraque, Síria, Líbano, Gaza e Iêmen — a um plano estruturado ao longo de décadas.

Na entrevista, ele foi ainda mais contundente ao caracterizar Netanyahu como um “madman” e atribuir ao premiê uma lógica expansionista. Segundo o economista, o objetivo seria consolidar a supremacia israelense na região com base em sucessivas intervenções militares.

Trump, promessas rompidas e crise constitucional

Sachs também dirigiu críticas ao presidente Donald Trump, afirmando que houve ruptura entre discurso e prática. “Trump, deixe-me acrescentar, é uma completa desgraça para nossa nação. Uma completa desgraça. Ele mentiu para nós. Cada palavra sobre America First”, declarou.

Para o economista, a ofensiva contra o Irã não teria respaldo constitucional, pois guerras formais dependeriam de autorização do Congresso dos EUA. Ele afirmou que não se trata de resposta a uma emergência iminente, mas de uma “guerra de escolha”, e declarou: “Claro que não. Não há lei aqui”, ao ser questionado se haveria base legal clara para a ação militar.

Sachs também criticou o Congresso americano, dizendo que a instituição estaria paralisada e capturada por interesses ligados a Israel, o que, segundo ele, impediria qualquer reação institucional efetiva.

Decadência econômica e gastos trilionários com guerras

Um dos pontos centrais da entrevista foi a ligação feita por Sachs entre política externa e declínio econômico interno dos Estados Unidos. Segundo ele, a subordinação estratégica a Israel e a manutenção de guerras sucessivas teriam drenado recursos que poderiam ser destinados à infraestrutura e ao desenvolvimento.

“É porque gastamos trilhões de dólares em guerra”, afirmou, ao questionar por que pontes, estradas e sistemas públicos estariam deteriorados. Ele comparou a situação americana com a da China, destacando que o país asiático investiu pesadamente em infraestrutura ferroviária de alta velocidade enquanto, segundo ele, os EUA permanecem sem avanços semelhantes.

Na avaliação de Sachs, o ciclo de intervenções externas teria comprometido a competitividade e os padrões de vida da população americana.

Negociações frustradas e acusações de má-fé

Durante a entrevista, foi exibido um trecho de declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã, que afirmou que negociações com os Estados Unidos teriam sido interrompidas por ataques militares. Segundo ele, “Nós negociamos com os Estados Unidos duas vezes nos últimos 12 meses e, em ambos os casos, eles nos atacaram no meio da negociação”.

O chanceler iraniano também declarou: “Eles convenceram o presidente Trump a nos atacar sem provocação e sem justificativa”.

Sachs sustentou que o histórico recente compromete a credibilidade diplomática americana e citou o acordo nuclear de 2015, afirmando que o Irã teria cumprido os termos antes de o governo Trump abandonar o pacto.

Risco de escalada global

Questionado sobre a possibilidade de ampliação do conflito, inclusive com impacto sobre potências nucleares, Sachs respondeu: “Eu vejo isso escalando e se espalhando”. Ele afirmou que há risco significativo de agravamento da crise internacional e criticou o que chamou de mentalidade baseada na intimidação militar como estratégia de segurança.

Ao final, o economista disse que os Estados Unidos estariam atravessando um momento institucionalmente perigoso, marcado por decisões concentradas no Executivo e ausência de freios políticos eficazes.

A entrevista reforça o debate sobre os limites constitucionais do poder de guerra, o papel do Congresso e as consequências econômicas e geopolíticas da política externa americana em um cenário de crescente tensão internacional.

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