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Gustavo Petro defende frente internacional para conter a escalada dos EUA contra o Irã

Segundo o presidente da Colômbia, "a barbárie deve ser combatida por uma Constituição da Humanidade”

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro 29/12/2025 (Foto: Luisa Gonzalez/Reuters)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou como ilegais os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã e defendeu a articulação de uma “grande frente global contra a guerra”. As declarações foram concedidas no domingo (1º) e divulgadas nesta segunda-feira (3) pelo portal Opera Mundi, que creditou as informações à TeleSUR.

O líder do país sul-americano pediu uma reação conjunta da comunidade internacional diante da escalada militar no Oriente Médio. Para o chefe de Estado colombiano, o momento exige coordenação diplomática e respeito às normas globais. “Uma grande frente global contra a guerra é necessária, um pacto pela vida da humanidade. O direito internacional deve ser respeitado. A barbárie deve ser combatida por uma Constituição da Humanidade”.

Os ataques contra o Irã começaram no sábado (28), conduzidos por forças dos Estados Unidos e de Israel. Mesmo sem apresentar provas públicas, o governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o país asiático de buscar desenvolver armamento nuclear, alegando que tal iniciativa representaria ameaça à estabilidade global.

Segundo a ONG de direitos humanos Hrana (Human Rights News Agency), ao menos 742 civis morreram no Irã por conta dos ataques dos EUA e de Israel. As forças israelenses também atacaram o Líbano, onde atua o Hezbollah, grupo islâmico xiita aliado do governo iraniano. Do lado israelense, foram registradas pelo menos nove mortes. Representantes do governo norte-americano confirmaram a morte de ao menos seis militares dos Estados Unidos.

Em meio à escalada, o Irã confirmou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para exportação de petróleo no mundo. A via conecta grandes produtores do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, sendo estratégica para o abastecimento energético global.

Petróleo e geopolítica

O petróleo segue como elemento central nas disputas envolvendo o Irã. Dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) indicam que o país foi o sexto maior produtor de petróleo bruto em 2024, com média de 3,2 milhões de barris por dia. As informações foram divulgadas pelo jornal Valor Econômico em 5 de agosto de 2025. O Brasil aparece na quinta posição, com 3,3 milhões de barris diários. Os Estados Unidos lideram o ranking, com 13,2 milhões, seguidos por Arábia Saudita (8,9 milhões), China (4,2 milhões) e Iraque (3,8 milhões).

Em relação às reservas comprovadas, o levantamento do World Atlas 2024 posiciona o Irã na terceira colocação mundial, com 208,60 bilhões de barris. A Arábia Saudita ocupa o segundo lugar, com 267,19 bilhões, enquanto a Venezuela lidera com 303,22 bilhões de barris. Na sequência aparecem Canadá (163,63 bilhões), Iraque (145,02 bilhões), Emirados Árabes Unidos (113 bilhões), Kuwait (101,50 bilhões), Rússia (80 bilhões), Estados Unidos (55,25 bilhões) e Líbia (48,36 bilhões).

As declarações de Petro ocorrem em um cenário de intensificação dos confrontos e de crescente preocupação internacional com os impactos diplomáticos, militares e econômicos da crise no Oriente Médio, especialmente diante da relevância estratégica da região para o mercado global de energia.

Guerra híbrida

A situação do Irã vem sendo monitaradamais pelos EUA há meses. Conforme denunciaram autoridades iranianas, o governo estadunidense incentivaram protestos contra o governo do Irã, onde manifestantes cobraram melhorias na condução econômica.

De acordo com a TeleSUR, o ambiente de pressão sobre o Irã também estaria inserido no que especialistas definem como uma estratégia de “guerra híbrida”. Instituições com sede em Washington, como o Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã e a organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã, são frequentemente mencionadas como fontes principais por veículos internacionais como The Washington Post, BBC e ABC News.

A reportagem da TeleSUR acrescenta que essas entidades recebem recursos da Fundação Nacional para a Democracia (NED, na sigla em inglês), criada em 1983 sob supervisão do então diretor da CIA, William Casey.

O canal ainda sustenta que a disputa envolvendo o Irã vai além da atuação dos Estados Unidos, destacando a participação do Mossad, o serviço de inteligência de Israel, em ações associadas ao governo Trump, o que ampliaria o cenário de pressão externa sobre Teerã em meio ao agravamento das tensões na região.

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