Pentágono diz ao Congresso que não havia indício de ataque prévio do Irã e desmoraliza Trump
Governo Trump reconhece ausência de informações de inteligência sobre ofensiva iraniana e enfrenta críticas de democratas após início de guerra contra Irã
247 - Autoridades do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiram em reuniões reservadas com integrantes do Congresso que não havia informações de inteligência indicando que o Irã planejava atacar primeiro forças norte-americanas. A revelação ocorre em meio à guerra iniciada no fim de semana e levanta questionamentos sobre a justificativa apresentada pela Casa Branca para a ofensiva militar.
As informações foram publicadas pela agência Reuters, que ouviu duas pessoas com conhecimento direto das reuniões. Segundo as fontes, o reconhecimento foi feito no domingo, em briefings conduzidos pelo Pentágono a parlamentares democratas e republicanos de comissões de segurança nacional da Câmara dos Representantes e do Senado.
No sábado, Estados Unidos e Israel lançaram a mais ampla operação militar contra o Irã em décadas. Os ataques mataram o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, atingiram mais de mil alvos e afundaram embarcações militares iranianas. A ofensiva deve se estender por semanas, segundo avaliações..
No dia anterior aos briefings, integrantes do alto escalão do governo haviam afirmado a jornalistas que Trump decidiu autorizar os ataques, em parte, diante de indícios de que o Irã poderia agir “talvez preventivamente” contra forças americanas na região. Um dos funcionários declarou que o presidente não ficaria “de braços cruzados enquanto as forças americanas na região absorviam os ataques”.
Contudo, nas reuniões a portas fechadas que duraram mais de 90 minutos, representantes do Pentágono destacaram que, embora os mísseis balísticos iranianos e forças aliadas de Teerã representassem ameaça aos interesses dos Estados Unidos, não havia informação de inteligência apontando para um ataque preventivo iraniano contra tropas norte-americanas, segundo relataram as duas fontes à Reuters, sob condição de anonimato.
O porta-voz da Casa Branca, Dylan Johnson, havia informado anteriormente que autoridades do Departamento de Defesa atualizariam congressistas sobre o andamento da operação militar.
Trump sustenta que a campanha militar tem como objetivos impedir que o Irã obtenha armas nucleares, conter seu programa de mísseis e eliminar ameaças aos Estados Unidos e a seus aliados. Ele também incentivou a população iraniana a se levantar contra o governo de Teerã.
Democratas falam em “guerra de escolha”
Parlamentares democratas passaram a criticar duramente a decisão do presidente dos Estados Unidos, classificando a ofensiva como uma “guerra de escolha”. Eles também questionam os argumentos usados pela Casa Branca para abandonar negociações de paz que, segundo o mediador Omã, ainda apresentavam possibilidade de avanço.
Trump afirmou, sem apresentar evidências públicas, que o Irã estaria próximo de adquirir capacidade para lançar um míssil balístico contra o território norte-americano. De acordo com fontes familiarizadas com relatórios de inteligência ouvidas pela Reuters, essa alegação não foi respaldada pelos informes das agências dos Estados Unidos e teria sido exagerada.
As dúvidas sobre a base da decisão militar ganharam força após o anúncio das primeiras baixas norte-americanas no conflito.
Três militares mortos e cinco feridos
O Comando Central dos Estados Unidos informou no domingo que três militares norte-americanos morreram e cinco ficaram gravemente feridos. Outros soldados sofreram ferimentos leves causados por estilhaços e concussões.
Desde o início das operações de grande escala ordenadas por Trump, aeronaves e navios de guerra dos Estados Unidos atingiram mais de mil alvos iranianos, segundo o Exército. Entre as ações, bombardeiros furtivos B-2 lançaram bombas de cerca de 900 quilos contra instalações subterrâneas de mísseis do Irã.
Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no domingo aponta que 27% dos norte-americanos aprovam os ataques, enquanto 43% desaprovam e 29% afirmam não ter posição definida sobre a ofensiva militar.


