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Pentágono pede US$ 200 bilhões para continuar guerra contra o Irã e diz que não há prazo para o conflito terminar

Secretário de Guerra aguarda Congresso decidir sobre aumento de verba para a guerra

Pete Hegseth no Pentágono 2/3/2026 REUTERS/Elizabeth Frantz (Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz)

247 - O Departamento de Guerra dos Estados Unidos está articulando junto ao Congresso um pedido adicional de aproximadamente US$ 200 bilhões para sustentar a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A proposta ocorre em meio à escalada militar e à ampliação das operações, sem que haja um horizonte claro para o fim do conflito.

De acordo com informações divulgadas pela Al Jazeera, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, indicou que não há um cronograma definido para encerrar a guerra. Questionado sobre o valor solicitado, ele não confirmou diretamente a cifra, mas admitiu que ela pode sofrer alterações ao longo das negociações.

“Quanto aos 200 bilhões de dólares, acho que esse número pode mudar. Obviamente, é preciso dinheiro para acabar com os bandidos”, afirmou Hegseth. Ele acrescentou: “Estamos voltando ao Congresso e conversando com as pessoas de lá para garantir que tenhamos o financiamento adequado para o que já foi feito e para o que talvez precisemos fazer no futuro”.

Segundo relatos da Associated Press e do Washington Post, o pedido foi encaminhado pelo Departamento de Guerra à Casa Branca. O montante é considerado extraordinário e se soma aos recursos adicionais já aprovados no ano passado dentro da lei de redução de impostos sancionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A proposta ainda depende de aprovação do Congresso, onde o cenário político apresenta incertezas. Apesar do controle republicano, há resistência entre parlamentares conservadores que defendem austeridade fiscal. Ao mesmo tempo, democratas sinalizam que devem exigir mais detalhes sobre a estratégia militar antes de apoiar qualquer novo financiamento.

Durante coletiva de imprensa, Hegseth evitou estabelecer um prazo para o fim das operações. “Não gostaríamos de estabelecer um prazo definitivo”, disse. Ele reforçou que a decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos: “Em última análise, será uma escolha do presidente”. O secretário também afirmou que os EUA já atingiram mais de 7.000 alvos em território iraniano e indicou que novas ofensivas de grande escala estavam previstas. Ainda assim, o Congresso não autorizou formalmente a guerra, o que amplia o desconforto entre parlamentares.

A deputada Betty McCollum, principal democrata na subcomissão da Câmara responsável por supervisionar os gastos com defesa, destacou que a aprovação de novos recursos não será automática. “Isto não será uma mera formalidade para o presidente dos Estados Unidos”, declarou.

O valor solicitado representa um aumento significativo em relação ao orçamento anual do Pentágono, que já supera US$ 800 bilhões no atual ano fiscal, além de cerca de US$ 150 bilhões adicionais aprovados anteriormente.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a necessidade do novo pacote, argumentando que o cenário global exige maior preparo militar. “Estamos pedindo isso por vários motivos, que vão além até mesmo do que estamos discutindo no Irã. Este é um mundo muito instável”, afirmou.

Trump também associou a necessidade de reforço orçamentário ao envio de armamentos à Ucrânia. “Queremos ter grandes quantidades de munição. Temos muita agora. Mas isso foi reduzido porque demos muita munição à Ucrânia”, disse. Apesar disso, ele minimizou os custos da guerra. “Poderíamos acabar com isso em dois segundos, se quiséssemos. Mas estamos sendo muito cautelosos”, acrescentou.

No campo operacional, o general Dan Caine detalhou o uso de equipamentos militares na região. Segundo ele, aeronaves A-10 Warthog estão sendo empregadas para destruir embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto helicópteros AH-64 Apache atuam no Iraque contra milícias alinhadas ao Irã. Esses equipamentos também vêm sendo utilizados por aliados dos EUA para neutralizar drones lançados por forças iranianas.

Enquanto o debate avança em Washington, o futuro do financiamento e da própria condução da guerra permanece indefinido, refletindo tanto as tensões no campo militar quanto as divisões políticas internas nos Estados Unidos.

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