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Perdido, Trump acumula controvérsias sobre guerra contra o Irã

Presidente dos Estados Unidos têm dado sinais contraditórios sobre o cronograma estabelecido para a guerra contra o Irã

Ilustração com miniatura impressa em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, e a bandeira iraniana (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (17) que o país ainda não está pronto para encerrar a guerra com o Irã, mas indicou que uma retirada pode ocorrer “em um futuro próximo”. A declaração, feita no Salão Oval, reforça a falta de clareza sobre os próximos passos do conflito, que já dura mais de duas semanas.

Trump tem alternado entre sinais de encerramento iminente e indicações de intensificação das ações militares, gerando dúvidas sobre a estratégia da Casa Branca e o planejamento para o período pós-guerra.

“Não estamos prontos para sair ainda, mas sairemos em um futuro próximo”, disse Trump. Ele também afirmou acreditar que os danos causados ao Irã são significativos e que levariam cerca de uma década para serem reconstruídos. Questionado sobre um plano para o cenário após o conflito, o presidente não apresentou detalhes e limitou-se a afirmar que o país foi “devastado em todos os aspectos”.

Declarações contraditórias sobre o conflito

As falas recentes de Trump evidenciam inconsistências. Em entrevista à CBS News na segunda-feira (16), o presidente afirmou: “acho que a guerra está muito completa, praticamente”. No entanto, poucas horas depois, durante discurso a republicanos na Flórida, adotou tom diferente: “já vencemos de muitas formas, mas ainda não vencemos o suficiente”.

Na mesma linha, Trump declarou em coletiva de imprensa: “não vamos recuar até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”. Em outro momento, acrescentou: “poderíamos chamar isso de um sucesso tremendo agora... ou podemos ir além — e vamos além”.

Enquanto isso, o Departamento de Defesa publicou mensagem nas redes sociais afirmando: “estamos apenas começando a lutar”, reforçando a divergência de discursos dentro do próprio governo.

Avaliação divergente da capacidade militar do Irã

Trump também apresentou versões conflitantes sobre a situação militar iraniana. Em entrevista, afirmou que o país “não tem marinha, não tem comunicações, não tem força aérea” e acrescentou: “Eles dispararam tudo o que tinham para disparar”.

Ainda segundo o presidente: “Se você observar, eles não têm mais nada. Não resta nada do ponto de vista militar”.

No entanto, em outros momentos, ele relativizou essas declarações. Disse que “a maior parte do poder naval do Irã foi afundada” e que a capacidade de mísseis caiu para “cerca de 10%, talvez menos”. Sobre drones, afirmou: “Devem estar em cerca de 25% e em breve não terão mais nada”.

Trump também variou ao divulgar números de embarcações iranianas destruídas, mencionando inicialmente 46, depois 50 e, em seguida, 51 navios.

Liderança iraniana e novas contradições

Outro ponto de inconsistência envolve a liderança do Irã. Em coletiva, Trump declarou: “Tudo o que eles têm se foi, incluindo sua liderança” e reforçou: “Eles não têm liderança”.

Minutos depois, ajustou a afirmação, dizendo que “dois níveis de liderança foram eliminados”. Posteriormente, comentou a escolha do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, recentemente morto.

“Fiquei desapontado, porque achamos que isso vai levar ao mesmo problema para o país”, afirmou Trump. “Fiquei desapontado com a escolha deles".

Viagem à China é adiada

Trump também anunciou o adiamento de uma viagem planejada à China, inicialmente prevista para este mês. Segundo ele, o encontro com o presidente Xi Jinping deve ocorrer em cerca de cinco a seis semanas. “Estamos reorganizando a reunião, e parece que acontecerá em cerca de cinco semanas. Estamos trabalhando com a China. Eles concordaram”, declarou.

O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que espera o encontro com o líder chinês: “ele está ansioso para me ver — eu acho”.

Nos últimos dias, Trump vinha sugerindo a possibilidade de adiamento e pressionando Pequim a atuar na segurança do Estreito de Ormuz, sem que houvesse compromissos públicos por parte da China.

Saída de chefe de contraterrorismo gera reação

A crise também provocou mudanças na área de inteligência. Joe Kent, então diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, renunciou ao cargo após discordar da condução da guerra.

Em carta de demissão, Kent afirmou: “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso com o Irã”. Ele também declarou que o país “não representava ameaça iminente” aos Estados Unidos e acusou Israel de pressionar pela escalada do conflito.

Trump reagiu com críticas. “Quando alguém trabalha conosco e diz que não acha que o Irã era uma ameaça, nós não queremos essas pessoas”, disse. “Não são pessoas inteligentes ou não são perspicazes".

Apesar de ter nomeado Kent, o presidente afirmou que sua saída foi positiva: “É uma coisa boa que ele tenha saído”. Ele reiterou sua posição sobre o risco representado pelo Irã: “o Irã era uma ameaça. Todos os países perceberam que o Irã era uma ameaça”.

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