PM britânico admite que governo não consegue conter sozinho impacto da guerra no Irã
Keir Starmer admite limites do Estado e cobra ação conjunta para conter impacto da guerra
247 - O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta segunda-feira (30) que o governo britânico não conseguirá lidar sozinho com os efeitos econômicos da guerra envolvendo o Irã e pediu apoio direto de empresas para proteger os consumidores. A declaração ocorre em meio à escalada dos preços globais de energia, combustíveis e alimentos, agravada pelo bloqueio do Estreito de Hormuz.
De acordo com informações do jornal The Telegraph, Starmer reuniu executivos dos setores de energia, transporte marítimo e bancos em Downing Street para discutir estratégias emergenciais diante da crise. Entre os participantes estavam Meg O’Neill, futura diretora-executiva da BP, e Anders Opedal, chefe da Equinor, gigante do Mar do Norte.
Durante o encontro, o premiê foi enfático ao afirmar que a resposta à crise exige cooperação entre o setor público e privado. “O governo não pode fazer isso sozinho”, declarou. Em seguida, reforçou: “Vocês não podem fazer isso sozinhos. Vamos ter que trabalhar juntos nisso”.
A tensão internacional se intensificou após o Irã bloquear, há cerca de um mês, o Estreito de Hormuz — uma das principais rotas marítimas do mundo, responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto do petróleo e gás globais. A medida foi adotada após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano, provocando uma disparada nos preços do petróleo.
Nesta segunda-feira (30), o barril da commodity se manteve próximo de US$ 115, impulsionado também por ameaças do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que declarou que poderá atingir poços de petróleo iranianos caso o país não reabra a passagem “imediatamente”.
Starmer afirmou que o governo britânico está desenvolvendo um “plano viável” para lidar com a situação no Estreito de Hormuz, além de garantir a segurança de cidadãos e interesses do Reino Unido na região. “Não é a nossa guerra, mas é nosso dever proteger os cidadãos britânicos”, disse.
O premiê também destacou a preocupação crescente da população com os impactos diretos no custo de vida. “O que está mais presente na mente das pessoas são as contas de energia, o combustível e também os preços dos alimentos”, afirmou.
O apelo por cooperação ocorre em um momento de tensão entre o governo trabalhista e o setor empresarial. Starmer já acusou postos de combustíveis de lucrarem excessivamente com a alta do petróleo, enquanto medidas fiscais recentes também geraram desgaste com empresas.
Na última semana, supermercados recusaram participar de uma reunião convocada pela ministra das Finanças, Rachel Reeves, para discutir preços, alegando que o encontro serviria apenas para críticas ao setor. A reunião foi remarcada para esta semana, com a presença também do secretário de Negócios, Peter Kyle.


