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Polícia britânica prende quatro homens suspeitos de espionagem ligada ao Irã em Londres

Além deles, outras seis pessoas foram presas. Alguns investigados têm envolvimento com a comunidade judaica, informaram autoridades

Pessoas em frente a prédios danificados após ataque a delegacia de polícia em Teerã, Irã 4 de março de 2026 Majid Asgaripour/WANA via REUTERS (Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS)

247 - Pelo menos quatro homens foram presos em Londres sob suspeita de atuar em colaboração com a inteligência iraniana em um suposto esquema de espionagem direcionado a alvos associados à comunidade judaica na capital britânica. A operação integra uma investigação conduzida pelas autoridades de segurança do Reino Unido sobre atividades consideradas hostis no país.

Segundo informações divulgadas pela polícia britânica e pela agência Ansa, agentes realizaram uma série de ações simultâneas em diferentes regiões da cidade. As detenções ocorreram após apurações que buscam esclarecer possíveis atividades de monitoramento e coleta de informações envolvendo indivíduos e locais ligados à comunidade judaica.

De acordo com a Scotland Yard, os quatro principais suspeitos foram capturados em três endereços distintos. Além deles, outras seis pessoas foram presas sob suspeita de participação ou apoio às ações investigadas pelas autoridades. Os detidos têm idades que variam entre 20 e 55 anos. As operações policiais ocorreram em áreas do norte e noroeste da região metropolitana de Londres, incluindo os bairros de Barnet, Watford e Harrow.

A investigação é conduzida por unidades especializadas da polícia britânica e faz parte de um esforço mais amplo para monitorar e impedir possíveis operações estrangeiras consideradas ilegais no território do Reino Unido. Em comunicado, Helen Flanagan comentou o andamento das apurações e destacou a preocupação das autoridades com a segurança pública.

“Trata-se de uma investigação de longa duração, focada em nosso trabalho contínuo para combater atividades maliciosas. Entendemos que o público possa estar preocupado, especialmente a comunidade judaica, e, como sempre, pedimos que permaneçam vigilantes e que, se virem ou ouvirem algo suspeito, denunciem à polícia”, afirmou.

As autoridades britânicas não divulgaram detalhes adicionais sobre a natureza das suspeitas ou sobre possíveis acusações formais até o momento. O caso permanece sob investigação, enquanto a polícia segue reunindo informações para esclarecer o alcance das atividades atribuídas aos detidos.

Entenda

Os Estados Unidos deram início a ataques militares contra o Irã no dia 28. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, justificou a ofensiva alegando que o país asiático estaria buscando desenvolver armas nucleares. No entanto, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que inspetores da ONU não encontraram evidências de que o Irã esteja produzindo esse tipo de armamento.

No mesmo dia em que os ataques começaram, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morreu após bombardeios que atingiram Teerã no sábado (28). Desde então, a Assembleia dos Especialistas do Irã — órgão formado por 88 aiatolás — passou a deliberar sobre quem deverá assumir o posto de sucessor de Khamenei.

Em meio à ofensiva militar, o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), informou na quinta-feira que as forças norte-americanas destruíram mais de 200 alvos iranianos nas últimas 72 horas. Entre os objetivos atingidos, segundo ele, estão cerca de 30 embarcações de guerra do Irã e um navio utilizado para operações com drones.

Dados divulgados pela imprensa iraniana indicam que o número de mortos no país ultrapassou 1.200 pessoas desde o início das operações militares. Durante os cinco primeiros dias do conflito, Teerã respondeu lançando pelo menos 2.191 mísseis e drones ofensivos contra Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait. Os ataques também atingiram alvos situados na Arábia Saudita, no Iraque e em Omã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o país não está em guerra com as nações do Golfo Pérsico, mas sim em confronto direto com os Estados Unidos, em resposta aos bombardeios iniciados no sábado. A posição foi divulgada pela mídia estatal iraniana, que repercutiu as declarações do chanceler em meio ao aumento das tensões na região.

No plano geopolítico, os Estados Unidos mantêm, ao menos formalmente, parcerias com oito países do Oriente Médio, entre eles Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Já o Irã possui relações com o Paquistão, além de vínculos com o Hezbollah — organização sediada no Líbano — e com o Iêmen.

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