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Pressionado pela guerra no Irã, Trump avalia reformulação ampla na Casa Branca

Presidente dos EUA considera mudanças na equipe diante de queda de popularidade, críticas à guerra e insatisfação com cobertura da imprensa

Casa Branca, em Washington, EUA (Foto: REUTERS/Kevin Mohat)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia promover uma ampla reformulação em seu gabinete em meio à crescente pressão política provocada pela guerra com o Irã, que já dura cinco semanas e tem impactado sua popularidade e o cenário eleitoral. A possível reestruturação ocorre após a saída da procuradora-geral Pam Bondi e reflete a insatisfação do mandatário com os desdobramentos do conflito e sua repercussão interna, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Cinco pessoas com conhecimento das discussões internas na Casa Branca afirmaram que a iniciativa pode servir como uma tentativa de reposicionar o governo diante de um momento político delicado. A guerra elevou os preços dos combustíveis, pressionou a economia e aumentou a apreensão entre aliados republicanos às vésperas das eleições legislativas de novembro.

A avaliação interna é de que o discurso televisionado de Trump na quarta-feira (1º), no qual buscou transmitir controle e confiança sobre o rumo do conflito, não teve o efeito esperado. Um alto funcionário da Casa Branca afirmou que a fala “não cumpriu o que se esperava”, ampliando a percepção de que mudanças na comunicação ou na equipe seriam necessárias. Outro integrante do governo resumiu o clima ao dizer: “Uma reformulação para demonstrar ação não é algo ruim, é?”.

Apesar das discussões, não há consenso sobre quais integrantes do gabinete seriam substituídos. Ainda assim, fontes indicam que alguns nomes estão sob maior pressão, como a diretora de inteligência nacional, Tulsi Gabbard, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Ambos enfrentam críticas internas, embora a Casa Branca sustente publicamente apoio a eles.

O porta-voz Davis Ingle afirmou que Trump mantém “total confiança” nos dois auxiliares e destacou que o gabinete “entregou vitórias históricas em nome do povo americano”. Segundo ele, Gabbard teve papel relevante no enfrentamento ao narcotráfico internacional, enquanto Lutnick contribuiu para acordos comerciais e investimentos.

Nos bastidores, no entanto, Trump teria demonstrado insatisfação com Gabbard e chegou a consultar aliados sobre possíveis substitutos para o cargo. Já Lutnick enfrenta pressão adicional devido a questionamentos sobre sua relação com Jeffrey Epstein, após a divulgação de documentos que mencionam um encontro em 2012. O secretário afirma que “mal teve relação” com Epstein e que o encontro ocorreu de forma circunstancial.

Mesmo com a pressão crescente, pessoas próximas ao presidente indicam que ele pode optar por mudanças pontuais, em vez de uma reformulação ampla. Um funcionário da Casa Branca afirmou que o cenário mais provável é uma “rotatividade direcionada”, e não um “grande e dramático reinício”.

A decisão ocorre em um contexto de queda de popularidade. Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que apenas 36% dos americanos aprovam o desempenho de Trump, o menor índice de seu atual mandato. A guerra com o Irã também enfrenta forte rejeição: 60% dos entrevistados desaprovam a decisão dos EUA e de Israel de iniciar o conflito.

Outro fator que contribui para a tensão interna é a percepção de Trump de que a cobertura da imprensa sobre a guerra tem sido negativa. Segundo fontes, o presidente deixou claro à equipe que deseja uma abordagem mais favorável, embora não tenha sinalizado intenção de alterar sua própria estratégia de comunicação.

Ainda assim, a resistência a mudanças frequentes — que marcaram seu primeiro mandato e geraram críticas sobre instabilidade — pode pesar na decisão final. Mesmo com esse histórico, uma fonte da Casa Branca indicou que o momento atual pode exigir ação imediata: “Digamos apenas que, pelo que ouvi, Bondi não será a última”.

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