Irã sinaliza disposição para negociar paz com os Estados Unidos
Chanceler iraniano diz que o país não rejeita negociações: “o que nos importa são os termos de um fim conclusivo e duradouro para a guerra”
247 - O governo do Irã indicou disposição para negociações de paz mediadas pelo Paquistão ao mesmo tempo em que intensifica a busca por um piloto dos Estados Unidos desaparecido após a queda de aeronaves militares na região. O episódio amplia as tensões em um conflito que já dura seis semanas e segue sem perspectiva concreta de cessar-fogo, segundo informações da Reuters.
Forças iranianas realizam operações no sudoeste do país para localizar o militar norte-americano, enquanto autoridades dos dois lados confirmaram a derrubada de aeronaves em território iraniano e no Golfo. O cenário expõe os riscos enfrentados por aviões dos EUA e de Israel, apesar das declarações do presidente Donald Trump de que o espaço aéreo estaria sob controle total.
A possibilidade de um militar dos EUA em fuga dentro do Irã surge poucos dias após Trump ameaçar intensificar os ataques contra o país. O conflito enfrenta baixa aprovação interna nos Estados Unidos e já provoca impactos econômicos globais, especialmente no setor energético.
Em meio à escalada, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país não rejeita negociações, desde que haja condições claras para o fim do conflito. “Somos profundamente gratos ao Paquistão por seus esforços e nunca nos recusamos a ir a Islamabad. O que nos importa são os termos de um fim conclusivo e duradouro para a guerra ilegal que nos foi imposta”, declarou o chanceler em publicação na rede X.
Segundo autoridades, um caça americano F-15E foi abatido por forças iranianas, enquanto outro piloto conseguiu ejetar após o ataque a uma aeronave A-10, que caiu no Kuwait. Helicópteros enviados para resgate também foram atingidos, mas conseguiram deixar o espaço aéreo iraniano. O estado de saúde das tripulações não foi detalhado.
A Guarda Revolucionária do Irã informou que realiza buscas intensas na região onde a aeronave caiu. Autoridades locais chegaram a prometer recompensas para quem capturar ou eliminar membros das forças consideradas inimigas.
Enquanto isso, ataques aéreos continuam sendo registrados. A mídia estatal iraniana relatou bombardeios em uma zona petroquímica no sudoeste do país, com ao menos cinco feridos. Um projétil também atingiu uma estrutura auxiliar próxima à usina nuclear de Bushehr, causando uma morte, embora as operações da instalação não tenham sido afetadas.
Araqchi criticou os ataques à infraestrutura nuclear, comparando a reação internacional com a guerra na Ucrânia. “Lembram da indignação ocidental sobre hostilidades perto da usina de Zaporizhzhia? Israel e EUA bombardearam Bushehr quatro vezes. A contaminação radioativa afetará capitais do Golfo, não Teerã”, afirmou.
A ofensiva também incluiu ataques israelenses a Teerã e a posições do Hezbollah no Líbano, ampliando o alcance regional do conflito. Desde o início das hostilidades, milhares de pessoas morreram, incluindo o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
O impacto econômico se intensifica com a quase paralisação do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Ainda assim, o Irã autorizou a passagem de navios com bens essenciais.
Na Europa, ministros das Finanças de cinco países defenderam a criação de um imposto sobre lucros extraordinários de empresas de energia, diante da disparada dos preços. Nos mercados, o petróleo registrou alta significativa, refletindo a incerteza sobre o desfecho do conflito.
Autoridades em Dubai também relataram danos materiais após destroços de interceptações aéreas atingirem edifícios, sem registro de vítimas. O cenário reforça a dimensão internacional da crise, que segue sem solução imediata e com riscos crescentes de escalada.


