Rubio se reúne com papa Leão XIV no Vaticano após ataques de Trump ao pontífice
Visita ocorre em meio ao agravamento das divergências entre o governo dos EUA e o líder católico
247 - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, foi recebido nesta quinta-feira (7) no Vaticano. Rubio se reuniu com o papa Leão XIV no Palácio Apostólico em um encontro que durou pouco mais de 45 minutos. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a conversa abordou a situação no Oriente Médio e "questões de interesse comum para o Hemisfério Ocidental", incluindo Cuba. As informações são da RFI.
Em comunicado divulgado após a audiência, o governo estadunidense afirmou que a reunião "ressaltou a força da relação entre os Estados Unidos e a Santa Sé, bem como o compromisso mútuo com a paz e a dignidade humana". Um funcionário do Departamento de Estado, sob condição de anonimato, classificou a conversa como "amigável e construtiva". O Vaticano não comentou oficialmente o encontro.
Rubio, que é católico, também teve reunião com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé. Segundo o Departamento de Estado, eles discutiram esforços humanitários no Hemisfério Ocidental e iniciativas voltadas à busca de uma "paz duradoura no Oriente Médio". O comunicado acrescentou que as conversas evidenciaram a parceria entre Washington e o Vaticano "em apoio à liberdade religiosa".
Relações deterioradas
A visita ocorreu após meses de atritos entre Donald Trump e o papa Leão XIV. Antes da viagem, Rubio tentou minimizar os ataques feitos pelo presidente estadunidense ao pontífice. Na quarta-feira (6), o cardeal Pietro Parolin declarou a jornalistas que o pedido de encontro partiu de Washington e afirmou que atacar o papa "é um pouco estranho".
As relações entre os Estados Unidos e a Santa Sé se deterioraram desde a eleição de Leão XIV, em 2025. Embora o governo Trump tenha inicialmente comemorado a escolha do primeiro papa estadunidense da história, divergências sobre imigração e sobre a guerra no Oriente Médio ampliaram o distanciamento entre as partes.
Após as agressões de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o papa intensificou o discurso pacifista e classificou como "inaceitável" a ameaça de Trump de destruir Teerã. Em abril, o presidente estadunidense chamou Leão XIV de "fraco" no combate ao crime e "incompetente" em política externa, provocando reações entre católicos e líderes internacionais.
O pontífice respondeu afirmando não ter "medo" do governo Trump e declarou possuir o "dever moral de se manifestar" contra a guerra. Na segunda-feira (4), Trump voltou a criticar o papa, acusando-o de considerar aceitável que o Irã possua armas nucleares. Leão XIV rebateu: "Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, que o faça honestamente. A Igreja se opõe a todas as armas nucleares há anos; não há dúvida disso."
Questão cubana
A situação em Cuba, vítima do bloqueio econômico criminoso imposto pelos EUA, também esteve na pauta das reuniões no Vaticano. Segundo uma fonte do Departamento de Estado, foram discutidas ações humanitárias conduzidas pela Igreja Católica e pela Cáritas na ilha.
A Santa Sé historicamente desempenha papel relevante na diplomacia envolvendo Havana. Filho de cubanos, Marco Rubio lidera no governo Trump a política de ameaças e pressão contra o governo da ilha caribenha.

