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Rússia acelera abandono do dólar em negócios com a China e parceiros eurasiáticos

Mais de 90% das transações já são realizadas em moedas nacionais

Xi Jinping (à esq.) e Vladimir Putin (Foto: Alexander Zemlianichenko/Pool via Reuters)

247 – A Rússia está praticamente concluindo a transição para o uso de moedas nacionais em suas transações comerciais com países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), da União Econômica Eurasiática (UEEA) e com a China, em um movimento que acelera o abandono do dólar e de outras moedas ocidentais. A informação foi divulgada pelo vice-primeiro-ministro Alexey Overchuk, segundo a agência estatal russa TASS, em reportagem publicada nesta sexta-feira, 3 de abril.

De acordo com a TASS, Overchuk destacou que a criação de um sistema de pagamentos independente das moedas e dos serviços bancários ocidentais tornou-se um eixo estratégico da cooperação eurasiática. A iniciativa reflete uma reorganização financeira mais ampla, impulsionada por tensões geopolíticas e pela busca de maior autonomia econômica por parte da Rússia e seus parceiros.

O dirigente russo enfatizou que o processo avançou de forma significativa nos últimos quatro anos. "Nós praticamente concluímos a transição para pagamentos mútuos em moedas nacionais ao longo dos últimos quatro anos. Em 2025, 91% dos pagamentos mútuos com a CEI são em moedas nacionais, 93% com a UEEA e 95% com a República Popular da China, nosso parceiro mais importante", afirmou Overchuk.

Os dados indicam que a Rússia já alcançou um elevado grau de desdolarização em suas relações comerciais regionais, especialmente com a China, considerada por Moscou seu principal parceiro econômico. A predominância das moedas nacionais nessas transações reduz a exposição a sanções e restrições impostas por países ocidentais, além de fortalecer mecanismos financeiros alternativos no espaço eurasiático.

A estratégia também se insere em um contexto mais amplo de transformação da ordem econômica global, com países emergentes buscando reduzir a dependência do sistema financeiro dominado pelo Ocidente e ampliar o uso de suas próprias moedas no comércio internacional. Nesse cenário, a cooperação entre Rússia, China e blocos regionais como a UEEA tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

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