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Conversas de Xi Jinping com Rússia e Estados Unidos reforçam diplomacia chinesa equilibrada e independente

Comunicações entre chefes de Estado traçam rumo das relações entre grandes potências em meio à turbulência global, analisam especialistas

Vladimir Putin e Xi Jinping em reunião virtual (Foto: Xinhua)

247 - O presidente chinês, Xi Jinping, realizou nesta quarta-feira (4) uma reunião virtual com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Mais tarde, no mesmo dia, Xi manteve uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de acordo com informações publicadas pelo Global Times.

Na reunião virtual com Putin, Xi afirmou que China e Rússia devem trabalhar juntas para manter a estabilidade estratégica global, em um contexto em que a situação internacional se tornou cada vez mais turbulenta desde o início do ano.

Como "grandes países responsáveis" e membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, China e Rússia têm a obrigação de incentivar a comunidade internacional a defender a "equidade e a justiça, salvaguardar firmemente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, defender resolutamente o sistema internacional centrado na ONU e as normas básicas do direito internacional", disse Xi.

De acordo com o calendário chinês, esta data marca o Lichun, que simboliza o início da primavera, período em que o frio começa a recuar e a natureza entra em fase de renovação e despertar. No entanto, no que diz respeito às relações entre Rússia e China, a primavera se estende ao longo de todo o ano, independentemente da estação, afirmou Putin, segundo comunicado divulgado pelo Kremlin.

Na conversa telefônica com Trump, Xi destacou que atribui "grande importância às relações entre China e Estados Unidos". Ele afirmou que, ao longo do último ano, manteve uma comunicação sólida com Trump e que ambos tiveram uma reunião bem-sucedida em Busan, na Coreia do Sul, que traçou a direção e o rumo das relações sino-americanas. Xi enfatizou que a questão de Taiwan é "o tema mais importante nas relações entre China e Estados Unidos". "Taiwan é território chinês, e a China deve proteger sua soberania nacional e integridade territorial, não permitindo jamais qualquer separação", afirmou. Xi acrescentou que os Estados Unidos devem tratar com prudência a questão das vendas de armas a Taiwan.

Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China, Trump afirmou que tanto os Estados Unidos quanto a China são grandes países e que a relação entre ambos é, de longe, a mais importante do mundo. Sob a liderança atual, disse ele, Estados Unidos e China estão indo bem nos campos econômico e comercial. Trump declarou ainda que deseja ver a China prosperar, que os Estados Unidos gostariam de trabalhar com a China e avançar ainda mais nas relações bilaterais, e que compreende a posição chinesa sobre a questão de Taiwan. Segundo ele, os dois lados devem continuar dialogando e manter a relação em boas condições durante seu mandato.

Trocas frequentes

As interações entre os líderes da China e da Rússia no início do ano tornaram-se um mecanismo importante para a consolidação das relações entre os países. Em 2026, uma série de tarefas-chave e grandes questões estratégicas exigirá coordenação por meio de comunicação em alto nível, a fim de esclarecer prioridades e construir consensos, afirmou Wang Xiaoquan, pesquisador do Instituto de Estudos Russos, do Leste Europeu e da Ásia Central da Academia Chinesa de Ciências Sociais, ao Global Times.

“Como se sabe, avançar a parceria estratégica abrangente de coordenação para uma nova era com a China é uma prioridade central da política externa da Rússia. Esse processo está se desenvolvendo de forma sistemática, ampla, produtiva e bem-sucedida. Vemos vontade política de ambos os lados para continuar promovendo essa cooperação”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas nesta quarta-feira, segundo a RIA Novosti.

Zhang Hong, pesquisador do Instituto de Estudos Russos, do Leste Europeu e da Ásia Central da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que China e Rússia compartilham a mesma posição e um compromisso de longo prazo com a defesa da ordem internacional.

Enquanto isso, analistas observam que a China busca relações estáveis, saudáveis e sustentáveis com os Estados Unidos, baseadas no respeito mútuo, na coexistência pacífica e na cooperação de ganhos mútuos. Apesar da concorrência, que por vezes se torna intensa, a China tem mantido comunicação regular em alto nível com os Estados Unidos para definir rumos, evitar erros de cálculo e estabilizar os laços, afirmou Li Haidong, professor da Universidade de Relações Exteriores da China, ao Global Times.

Segundo observadores chineses, desde as comunicações entre chefes de Estado da China e grandes potências como Rússia e Estados Unidos até as visitas intensas ao país por nações ocidentais e do Sul Global desde o início do ano, a comunidade internacional passou a reconhecer amplamente o papel central e a posição da China nos assuntos internacionais.

Os países não apenas demonstram disposição para realizar intercâmbios abrangentes com a China, como também esperam que o país desempenhe um papel de liderança mais forte no cenário e na ordem internacionais em transformação. Isso também indica que 2026 será um ano altamente ativo para a diplomacia chinesa, e que o posicionamento da China como um pilar de paz, estabilidade, prosperidade, confiança e esperança global vem sendo continuamente validado, afirmaram.

Estabilidade estratégica

A reunião virtual de Xi com Putin e as conversas telefônicas com Trump ocorreram às vésperas do vencimento do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START), previsto para 5 de fevereiro, em um momento em que o último acordo remanescente de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia enfrenta o risco de colapso.

Analistas apontam que a China adota uma diplomacia de grande potência estratégica, independente e equilibrada, que prioriza os interesses centrais nacionais, ao mesmo tempo em que enfatiza a estabilidade global e o verdadeiro multilateralismo.

Li destacou que China, Rússia e Estados Unidos são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Esse tipo de comunicação facilita a cooperação entre grandes potências para enfrentar desafios comuns da comunidade internacional e contribui para a paz e a estabilidade globais.

Segundo ele, o mundo atual atravessa múltiplas turbulências, e a China tem dado exemplo de como lidar com esses desafios e manter a segurança e a estabilidade regionais, conquistando crescente compreensão, reconhecimento e apoio de países em todo o mundo.

Ainda mais relevante, diante de disputas globais que incluem questões europeias, divergências nas relações entre Estados Unidos e Europa, a crise na Ucrânia e diversos problemas na América Latina, todas as partes, incluindo Estados Unidos e Rússia, perceberam que a resolução construtiva dessas questões é inseparável da participação da China e exige plena comunicação, intercâmbio e diálogo com Pequim. Isso tornou a China um ponto de conexão central e crítico nas atuais relações internacionais, além de um pilar importante para que os países fortaleçam seu próprio desenvolvimento e enfrentem desafios práticos, afirmou Li.

Zhang observou que, em um momento em que o mundo enfrenta múltiplas turbulências e riscos geopolíticos, a China, por meio de sua comunicação com as outras duas grandes potências, transmitiu uma mensagem clara à comunidade internacional: embora os assuntos globais exijam a ampla participação de muitos países, a China está cumprindo suas responsabilidades e exercendo sua influência de forma singular.

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