Rússia acusa ingerência externa em protestos no Irã e condena ameaças dos EUA
Maria Zakharova afirma que sanções ocidentais agravaram tensões internas e alerta para riscos de nova escalada militar na região
247 - As manifestações registradas nas últimas semanas no Irã foram alvo de críticas contundentes do governo russo, que atribui o agravamento da situação interna do país à pressão externa e a tentativas de desestabilização promovidas por atores estrangeiros. Moscou sustenta que o cenário resulta de fatores econômicos e sociais acumulados ao longo de anos de sanções impostas pelo Ocidente.
As declarações foram feitas pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em resposta a uma pergunta da imprensa sobre os protestos no Irã, segundo comunicado oficial divulgado pela diplomacia russa na terça-feira (13).
Em sua avaliação, Zakharova afirmou que “a pressão ilegal de sanções exercida pelo Ocidente, à qual a República Islâmica do Irã vem sendo submetida há muitos anos, dificultou o desenvolvimento do país e gerou desafios econômicos e sociais, afetando principalmente os iranianos comuns”. Para a diplomata, forças externas hostis estariam explorando o descontentamento popular com o objetivo de enfraquecer o Estado iraniano.
A porta-voz acusou diretamente a utilização de métodos associados às chamadas revoluções coloridas. Segundo ela, “os métodos notórios das chamadas revoluções coloridas estão sendo empregados, quando protestos pacíficos são transformados — por meio das ações de provocadores treinados e armados no exterior — em violência brutal e sem sentido, incluindo tumultos, a morte de agentes da lei e de civis, e até de crianças”.
Zakharova foi enfática ao rejeitar qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do Irã. “Condenamos de forma inequívoca a interferência externa subversiva nos processos políticos internos do Irã”, declarou. Ao mesmo tempo, destacou o que classificou como uma postura aberta do governo iraniano para o diálogo interno. “É particularmente digno de nota que as autoridades iranianas tenham demonstrado disposição para um diálogo construtivo com a sociedade, a fim de identificar formas eficazes de mitigar as consequências socioeconômicas adversas das políticas hostis do Ocidente”, afirmou.
No plano internacional, a representante russa classificou como inaceitáveis as ameaças vindas de Washington. “As ameaças emanadas de Washington sobre novos ataques militares contra a República Islâmica são categoricamente inaceitáveis”, disse. Ela acrescentou que “aqueles que consideram explorar a agitação instigada externamente como pretexto para repetir uma agressão contra o Irã, como ocorreu em junho de 2025, devem compreender plenamente as graves consequências que tais ações acarretariam para o Oriente Médio e para a segurança internacional global”.
A porta-voz também criticou medidas econômicas direcionadas a parceiros do Irã. “Rejeitamos firmemente as tentativas descaradas de pressionar os parceiros estrangeiros do Irã por meio da imposição de tarifas comerciais elevadas”, declarou.
Apesar das tensões, Zakharova avaliou que há sinais de arrefecimento do conflito interno. Segundo ela, “a dinâmica em evolução da situação política interna do Irã, juntamente com o recente declínio de protestos artificialmente alimentados, fornece fundamentos para um otimismo cauteloso quanto a uma estabilização gradual”. Para a diplomata, as manifestações em apoio à soberania iraniana indicam o fracasso de tentativas externas de desestabilização. “As marchas de milhares de iranianos em apoio à soberania do país testemunham o fracasso dos desígnios sinistros daqueles que não aceitam a existência de Estados capazes de conduzir uma política externa independente e escolher livremente seus próprios aliados no cenário internacional”, concluiu.
Zakharova informou ainda que a Rússia mantém contato permanente com suas missões diplomáticas no Irã, que seguem operando normalmente e em comunicação constante com cidadãos russos no país, aos quais recomendou cautela e o cumprimento das orientações das autoridades locais.


