Rússia admite discutir governança externa temporária na Ucrânia nos marcos de um acordo de paz
Vice-chanceler Mikhail Galuzin afirma que Moscou está aberta a debater administração sob a ONU após fim da operação militar especial
247 - A Rússia declarou estar disposta a discutir com outros países a possibilidade de instaurar uma governança externa temporária na Ucrânia sob os auspícios das Nações Unidas, após a conclusão da chamada operação militar especial. A sinalização foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Galuzin, ao abordar alternativas para a resolução do conflito.
Em entrevista à agência TASS, Galuzin afirmou que a proposta não é inédita e já foi mencionada anteriormente por autoridades russas. Segundo ele, a medida poderia integrar um conjunto de soluções voltadas ao encerramento das hostilidades e à reorganização institucional do país.
“A ideia de introduzir uma governança externa na Ucrânia sob os auspícios da ONU após a conclusão da operação militar especial não é nova. Em março de 2025, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que, no caso da Ucrânia, o estabelecimento de uma administração externa sob os auspícios da ONU é uma das opções possíveis. Tais precedentes já ocorreram no âmbito das atividades de manutenção da paz da organização mundial. De modo geral, a Rússia está disposta a discutir com os Estados Unidos, países europeus e outros a possibilidade de introduzir uma governança externa temporária em Kiev”, declarou o vice-chanceler.
De acordo com Galuzin, a eventual criação de uma administração internacional poderia abrir caminho para um novo ciclo político no país. Ele avaliou que a medida “possibilitaria a realização de eleições democráticas na Ucrânia, a ascensão ao poder de um governo capaz com o qual um tratado de paz completo poderia ser assinado, juntamente com documentos legítimos sobre a futura cooperação interestatal”.
O diplomata ressaltou, contudo, que a implementação desse modelo enfrentaria desafios institucionais no âmbito das Nações Unidas. “Ao mesmo tempo”, afirmou, “deve-se levar em consideração que as Nações Unidas não possuem formalmente um mecanismo padronizado para o estabelecimento de administrações internacionais temporárias em territórios afetados por conflitos.”
A declaração ocorre em meio às discussões internacionais sobre possíveis cenários para o fim do conflito e os mecanismos que poderiam garantir estabilidade política e jurídica na Ucrânia após a cessação das operações militares.


