Rússia e China enfrentam EUA e aliados em debate sobre o Irã no Conselho de Segurança da ONU
Representante russo acusa estadunidenses de criar "histeria" nuclear e diplomata chinês critica uso da força contra Teerã
247 - Rússia e China confrontaram os Estados Unidos e aliados ocidentais nesta quinta-feira (12) sobre as intenções nucleares do Irã, em reunião do Conselho de Segurança da ONU. Washington buscava reforçar a "justificativa" para as agressões lançadas contra Teerã há duas semanas.As informações são da agência Reuters.
O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, acusou os EUA e aliados de criar "histeria" sobre supostos planos iranianos de obter armas nucleares, não comprovados por relatórios da AIEA, para justificar agressões militares contra Teerã e ampliar a escalada na região. O representante chinês, Fu Cong, chamou Washington de "instigador" da crise nuclear iraniana e criticou o uso da força contra o país durante negociações, anulando esforços diplomáticos. O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, declarou que o programa nuclear do Irã "sempre foi exclusivamente pacífico" e que Teerã não reconhecerá tentativas de impor sanções.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem usado o programa nuclear iraniano para justificar a guerra, afirmando que o país estaria a duas semanas de obter uma arma nuclear caso os EUA não tivessem atingido três locais nucleares estratégicos em junho — afirmação contestada por avaliações de inteligência estadunidenses.
Durante a sessão do órgão, presidida pelos EUA neste mês, Rússia e China tentaram impedir a discussão sobre o comitê criado para supervisionar e aplicar sanções da ONU contra o Irã. A tentativa foi rejeitada por 11 votos a favor, 2 contra e 2 abstenções.
O representante estadunidense na ONU, Mike Waltz, acusou Moscou e Pequim de proteger Teerã ao bloquear o trabalho do chamado Comitê 1737. "Todos os estados membros da ONU deveriam implementar um embargo de armas contra o Irã, proibindo a transferência e comércio de tecnologia de mísseis, e congelando ativos financeiros relevantes", afirmou Waltz. Segundo o representante, China e Rússia não desejam um comitê de sanções funcional porque querem proteger o Irã e manter a cooperação militar, agora proibida.
O diplomata citou ainda que, na semana passada, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que o Irã é o único país sem armas nucleares a produzir e acumular urânio enriquecido a 60%, recusando fornecer acesso a esse estoque.
Reino Unido e França sustentaram que a reimposição de sanções é justificada pelo suposto "fracasso" do Irã em esclarecer dúvidas sobre seu programa nuclear. A França ressaltou que a AIEA não pode mais garantir a natureza pacífica do programa e que o estoque nuclear iraniano seria suficiente para 10 armas nucleares.


